Sinais contraditórios nos EUA

Da coluna de Luis Nassif, no Último Segundo

Para se avaliar a confusão na economia norte-americana.

Desde o início da crise, pensava-se que a virada se daria quando o mercado imobiliário parasse de cair. Seria o fundo do poço. A partir daí, vendedores se tornariam mais cuatelosos antes de vender suas casas e compradores seriam mais atuantes – para comprar antes da alta.

A estabilização do mercado de imóveis usados permitiria o reinício das vendas de residências novas – aí, movimentando a construção civil.

Esses sinais surgiram, ainda que tênus, nos últimos dois meses.

Em maio houve a primeira recuperação nos preços das residências em três anos. Coisa pequena, de apenas 0,5% em relação a abril, mas 32% abaixo do pico de 2006. Já a venda de residências novas subiu 3,6% em junho, a maior alta dos últimos anos.

E aí, se saiu da crise? Provavelmente não. Esse período de intensa recessão e de queda no valor dos ativos gerou passivos nas empresas, que terão que ser administrados ainda em um quadro de recuperação econômica frágil.

A BusinessWeek soltou matéria falando em “bomba relógio” do endividamento corporativo.

Os atrasos nos pagamentos chegou a 11% – contra 2,4% do ano passado. Poderá chegar a 12,8%, o maior da história. E as previsões são de aumentos ainda maiores.

A razão é que, ao contrário de outras recessões, as companhias estão relutando em sanear seus balanços, assumindo a queda no valor dos ativos. É que as quedas foram tão substanciais que esse saneamento mostraria ou patrimônio líquido negativo ou níveis insustentáveis de endividamento.

Assim como ocorreu no pós-Plano Real, esse estoque de dívidas paralisa a economia. A empresa endividada não consegue investir, atrasa impostos, as multas ampliam ainda mais o endividamento criando uma bola de neve inadministrável.

Pelos cálculos da revista, as empresas americanas tem um estoque de US$ 1,4 trilhão em bônus e empréstimos. Mais da metade da dívida vence em cinco anos.

O exemplo da editora Gannett é ilustrativo.

Tem US$ 3,5 bi em dívidas, fluxo de caixa de US$ 1,1 bi nos últimos 12 meses. Com vendas em queda, demite e reduz dividendos. Está conseguindo bancar os juros mas interrompeu os investimentos.

A dificuldade aumenta na hora de vender os ativos, já que a queda generalizada de valor paralisou o mercado. E o sistema financeiro continua jogando na retranca.

Pelos levantamentos da revista, 128 companhias já deram calotes, dentre as quais General Motors, a fabricante de roupas Eddie Bauer, a companhia aeroespacial Fairchild e a fabricante de papel Bowater.

A S&P prevê mais 207 empresas vulneráveis.

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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