Mulheres desafiam machismo na polícia do Rio, diz The Guardian

Uma revolução feminista está tomando forma dentro da polícia do Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal britânico The Guardian.

Com o título “Feminismo e M-16s: Como as mulheres estão transformando o machismo na polícia do Rio”, o artigo destaca a recente contratação de policiais femininas tanto para os cargos de chefia da organização como para atuarem diretamente nas operações de combate ao tráfico de drogas e de armas na cidade.

“Em um país onde ser policial há muito tempo é considerado trabalho de homem, a linha de frente da guerra da droga do Rio — um mundo de sangue, suor e balas que deve estar entre os mais machistas do planeta  é um cenário improvável para uma revolução feminista”, diz o jornal.

“Mas as mulheres brasileiras estão abrindo caminho nesta profissão dominada por homens.”

O The Guardian entrevista mulheres que atuam nas batidas policiais nas favelas cariocas e a delegada-titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), Marcia Beck, que assumiu o cargo em abril.

“Beck vê a presença cada vez maior de mulheres como um passo a mais no sentido de mudar a imagem da polícia como uma força violenta e temível”, diz o jornal.

O diário então relembra uma sondagem do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, realizada no ano passado, que apontou que apenas 6,9% dos cariocas confiam na Polícia Militar, enquanto a Polícia Civil obteve a confiança de 9,2% da população.

A reportagem afirma ainda que a revolução feminina brasileira não se restringe à polícia carioca.

“O número de mulheres ocupando posições de alto nível em grandes empresas, na medicina e na diplomacia também está crescendo”, diz.

O jornal lembra que “apenas dez dos 81 senadores brasileiros são mulheres”, mas afirma que as vozes femininas estão também “ganhando espaço na política”.

“No ano que vem, o maior país da América do Sul pode ter a chance de eleger, pela primeira vez, uma mulher para a Presidência, na forma de Dilma Rousseff, uma ex-militante de esquerda que é chefe da equipe de Lula e a escolhida por ele para sua sucessão.”

Mas o The Guardian ressalta que as mulheres ainda sofrem discriminação em vários níveis, inclusive dentro da polícia.

O correspondente do jornal no Rio acompanhou uma batida no Morro da Mineira, da qual participaram algumas policiais femininas.

Ele relata que algumas das entrevistadas admitiram ouvir provocações de seus colegas homens todos os dias.

Com agências

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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