EUA-China: disputa econômica pode virar queda-de-braço geopolítica

Por Mary Stassinákis, no Monitor Mercantil

Os chineses vêm vindo… Os chineses estão chegando… Tranquem a alta tecnologia da energia verde, coloquem o dólar no seguro, cerquem os lobos do Congresso e apresentem idéias inteligentes para investimentos quando os encontrarem! Dias de “sino-paroxismo” na América de Barack Obama.

A estratégia de Beijing, de monopolizar o raro metal chamado Neodímio (Neodymium), indispensável às aeroturbinas e automóveis elétricos, soou o sinal de alerta em todos os locais de Washington — até o Pentágono! Primeiramente, esta estratégia dos mandarins de Beijing é de extraordinária importância geoeconômica, pois revela a pretensão da China de se tornar dominante em investimentos novos e atuais de tecnologia “limpa”.

Esta inteligente decisão de Beijing de investir — em tempo — no sonho de uma superpotência econômica e enfrentar o colossal problema da crise do meio ambiente e do superaquecimento, indica o papel principal da geopolítica – por intermédio destes investimentos – e da mudança do jogo em nível mundial ao utilizar a tecnologia verde. Enfim, em uma indústria que ainda está usando fraldas.

Está mais do que óbvio que a China caminha a passos largos rumo à criação de uma indústria poderosa. Entretanto, e em vista das conversações que serão iniciadas em Washington esta semana com uma delegação de alto nível da China, no âmbito do “diálogo econômico estratégico”, a histeria assume dimensões exacerbadas.

Um diálogo restante, que o ex-secretário do Tesouro de Bush Jr. Henry Paulson deixou de herança para Obama, é a decisão do Congresso dos EUA que está para ser promulgada, no Salão Oval da Casa Branca, de aplicar taxas de 55% sobre os pneus para automóveis de fabricação chinesa importados pelos EUA.

E isto tem encolerizado insuportavelmente a China. É fácil imaginar de que se trata. A psicose dos norte-americanos está centrada no cenário predileto: o Banco do Povo da China (banco central) vende alguns poucos bônus dos EUA para atrair a atenção do mercado e dos sanguinários especuladores.

Em consequência, Wall Street se abala e o dólar despenca. Será possível que os chineses estejam jogando tão perigosamente? Eles têm seus próprios interesses, tanto geopolíticos quanto econômicos.

Certamente, não é um lance norte-americano a menos a cada ano que passa. A não ser que Beijing pretenda cometer suicídio financeiro. Contudo, cálculos equivocados ocorreram outras vezes nas relações econômicas mundiais, com resultados fatais.

Corretamente, a frágil relação de interdependência econômica e choque geopolítico entre a única superpotência (?) do mundo pós-Guerra Fria e a superpotência ascendente do Século 21, é considerada um dos principais parâmetros de incerteza nas relações internacionais.

Mas esta política de Beijing está repleta de contradições agudas. O contraditório esquema “capitalismo selvagem com bandeira vermelha” e a coexistência de extremo liberalismo na economia com sistema político autoritário equilibram-se na corda-bamba.

O alvo de Beijing, criar com o acúmulo de papéis da dívida norte-americanos um arsenal letal para o caso de precisar enfrentar uma crise futura com os EUA, é uma faca de dois gumes.

A economia da China floresce com a ajuda de tsunamis de dinheiro barato e uma relação cambial com o dólar que aumenta o fervor em Washington.

A Casa Branca acusa a “paralisia” da China, e não se satisfaz mais com compromissos verbais. Já enfrenta a asfixiante chantagem do Congresso, que a acusa de não pressionar Beijing de forma decisiva para que promova uma “segunda” reavaliação do iuan contra o dólar, o que abriria caminho para a “desatrelação” plena na paridade das duas moedas.

A nova feição do poder da China é real, mas é mais frágil do que Beijing pode suportar. Esta é uma verdade que ninguém pode se dar ao luxo de ignorar

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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