Selic: a ditadura do Copom

Por Osvaldo Bertolino

Um dos mais persistentes críticos do conservadorismo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o bravo vice-presidente da República José Alencar, disse em 2005 que estava sendo censurado para não falar sobre a taxa de juros do país. ”A Constituição de 88 acabou com a censura, exceto a censura de bater na taxa de juros. Essa censura existe, tenho sofrido e sido vítima dela”, disse ele.

O desabafo de José Alencar continua atual. Persiste na condução da política monetária do país um viés autoritário — marca, aliás, dos últimos 40 anos em que predominou a orientação liberal nesse setor da economia nacional. A atual gestão macroeconômica é um mundo de negócios separado dos reais problemas do país, no qual a razão cedeu lugar à adivinhação, à cartomancia e aos elementos da feitiçaria. Um ilha da fantasia. Os integrantes do Copom ignoram a quase unanimidade no país de que a continuidade da queda da taxa de juros básica é fundamental para o processo de retomada da economia brasileira.

Depois da decisão de cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5% na quarta-feira (22), trabalhadores e empresários se uniram mais uma vez para criticar o conservadorismo daquele seleto grupo que toma decisões periódicas que influenciam, de um jeito ou de outro, direitamente a vida de todos os brasileiros. O mais grave foi o anúncio, feito por meio de um comunicado do BC, de que os cortes acabaram este ano. Não há justificativa para tal decisão. O receio de que a crise econômica global poderá ainda chegar com força no país na verdade deveria ser um estímulo para cortes mais drásticos. Além do mais, a inflação não tem respirado.

A taxa Selic real mantém-se próxima a 5% ao ano, o que é muito elevado para os padrões mundiais de uma economia deflacionária. Esse diferencial provoca a entrada de recursos externos de curto prazo que favorece a valorização excessiva do real — o grande problema do Brasil, em termos de administração macroeconômica, é a manutenção do modelo financeiro  que impõe a liberalização aos fluxos de capital de qualquer tipo. Um dos efeitos visíveis é a dívida mobiliária federal interna, que aumentou 3,74% em junho, chegando a R$ 1,321 trilhão — segundo informação do Tesouro Nacional.

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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