Para Dilma, pré-sal sob controle da Petrobras evita déficit comercial

O governo acredita que entregar à Petrobras o controle sobre a operação dos novos campos de petróleo do pré-sal pode ser uma maneira de evitar que a exploração dos blocos gere desequilíbrios na balança comercial brasileira e prejuízos para a indústria nacional, disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O temor do governo é que o desenvolvimento dos novos campos crie dificuldades para a economia do país, se não for acompanhado de maior controle sobre as decisões das empresas que vão extrair o petróleo do pré-sal e sobre a escolha dos seus fornecedores, sugeriu a ministra.

“A questão da operação é estratégica e tem que ser discutida nesse foco”, afirmou Dilma, que nos últimos dois dias se reuniu em Washington com um grupo de empresários americanos e brasileiros, o Fórum de Altos Executivos de Empresas Brasil-EUA, e fez contatos com autoridades americanas. “Temos que fugir da maldição do petróleo.”

Empresas multinacionais

Ela afirmou que “não dá mais” para “ficar importando” sondas, plataformas e outros equipamentos necessários para a exploração de petróleo, e que um dos objetivos do governo é assegurar que “a indústria brasileira seja beneficiada” no desenvolvimento dos novos campos.

A indicação da Petrobras como operadora exclusiva dos novos blocos é uma das propostas em estudo no grupo ministerial que prepara as regras que serão adotadas na exploração do pré-sal. O novo modelo substituirá nessa área o sistema de concessões que abriu o setor à participação de grupos estrangeiros após a quebra do monopólio da Petrobras, no fim da década de 90.

Empresas multinacionais que estão de olho nas gigantescas reservas encontradas na camada do pré-sal defendem a manutenção do regime de concessões nos novos blocos. Elas temem que o novo modelo para o setor reduza a lucratividade que esperam alcançar com a exploração do pré-sal, se o governo impuser condições muito restritivas e obrigar todas que quiserem participar dos novos investimentos a se associar à Petrobras.

Empresas nacionais

Dilma acha que é tudo conversa. “Não estamos nem um pouco preocupados [com o risco de] que o investidor estrangeiro não vai estar interessado em explorar [o pré-sal]”, disse ontem. “Não tem a menor probabilidade que esse tamanho de reserva com a estabilidade brasileira não seja extremamente atrativo para os estrangeiros.”

Como a ministra lembrou em Washington, a Petrobras atualmente é a operadora da maioria dos blocos, cujos direitos de exploração foram concedidos pelo governo brasileiro nos últimos anos, e em geral as companhias estrangeiras preferiram se associar à estatal a assumir sozinhas os riscos inerentes aos investimentos do setor.

Dilma disse que o governo está interessado na participação de empresas estrangeiras no pré-sal, mas deixou claro que uma das suas prioridades é criar oportunidades para empresas nacionais. “O que está sendo discutido é como apropriar a renda petrolífera”, afirmou a ministra. “As reservas brasileiras em sua maioria se transformarão em riqueza para o povo brasileiro.”

As informações são do Valor Econômico

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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