Fascismo da mídia se espalha pela internet

aaaaaafscismoA mídia tem feito uma ofensiva brutal para difundir a ideologia direitista nos últimos dias.

O mais recente capítulo dessa tática fascista é a campanha contra a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Não é um debate aberto, civilizado, com direito ao contraditório.

É uma avalanche de torpezas, mentiras e calúnias.

E quando isso acontece, há um repique nos chamados “formadores de opinião”, que reproduzem amiúde essas falsidades.

A internet está povoada de comentários que procuram amplificar esse método fascista da mídia.

Minha opinião é que as idéias progressistas não reagem à altura e deixam a direita nadar de braçadas nesse importante espaço de debate democrático.

Assim, o fascismo da mídia vai se propagando.

No artigo Americanismo e fordismo, um dos mais instigantes textos da obra de Antonio Gramsci, o fenômeno da propagação da ideologia direitista é brilhantemente analisado.

Ele analisa a questão como forma extrema de “revolução passiva” e de regulação das relações humanas e sociais.

Como processo de organização do trabalho, o americanismo não busca rearticular apenas o mundo da produção.

Imbrica-se, também, na esfera da reprodução da vida social, já que o controle do capital não incide somente na extração da mais-valia, mas implica, ainda, no consentimento e na adesão das classes à ideologia da direita.

A hegemonia que “nasce da fábrica”, escreve Gramsci, é acompanhada por uma “moral dos produtores” e por uma “ética do trabalho” destinadas a produzir formas de passividade e adaptação das classes trabalhadoras às estratégias de dominação capitalistas.

Escrito por Gramsci em 1934, o artigo Americanismo e fordismo apareceu originalmente no caderno de número 22 e integra a produção do último período em que ele permaneceu no cárcere.

Durante os anos de reclusão, Gramsci preencheu 33 cadernos escolares, dos quais 29 compõem a primeira edição de sua obra publicada na Itália entre 1948 e 1951.

O responsável pela organização do material desta edição inaugural foi Palmiro Togliatti, companheiro de Gramsci na batalha contra o fascismo.

Vale a pena revisitá-lo.

Como prova da existência material da idéia do Americanismo e fordismo em nosso meio, reproduzo o texto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), publicado no Blog do Noblat, no qual ele agride a UNE posando de “democrata” e escancara a campanha da direita contra uma possível candidatura da ministra Dilma Rousseff.

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A UNE e o movimento cordial de base

Comecei minha carreira política na luta pela Anistia, em 1978. No ano seguinte ingressei no movimento estudantil. Foi uma época fantástica, a se considerar que a União Nacional dos Estudantes (UNE) havia sido recém-criada em um congresso realizado em Salvador, cujo garante do evento foi ninguém menos que o então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. Logo ele considerado um dos maiores verdugos da liberdade.

A UNE renasceu com o propósito de aglutinar os estudantes universitários na “luta contra a ditadura.” Parecia tão sedenta de democracia que durante dois ou três mandatos manteve sistema de eleição direta do seu presidente. Era o tempo do “povo unido jamais será vencido”, entre outros clichês memoráveis. Depois, o ímpeto para os grandes levantes foi perdendo a fervura e, seguramente, o último destaque de atuação da UNE foi na Campanha das Diretas, Já!

A propaganda da entidade apregoa ter sido o “Movimento dos Carapintadas” uma iniciativa da UNE, quando na verdade a entidade foi bem mais espectadora do que protagonista da iniciativa que levou a garotada às ruas para pedir o impeachment do presidente deposto Fernando Collor de Mello. Agora, regiamente remunerada com recursos do Governo Federal e de emendas parlamentares, com muito dos seus líderes em funções-chave no aparelho de administração petista do Estado, a UNE trocou a contestação pelo assentimento.

A rebeldia deu lugar ao protocolo oficial, enquanto a bandeira de luta agora é o maravilhoso jetom. Seria óbvia a identificação da UNE com o governo do PT. Afinal, a entidade poderia ser inserida no rol dos movimentos sociais de base que dão sustentação ao governo Lula. Mas a afinidade não tem nada de amor natural. O que une a organização estudantil ao petismo são vultosos recursos, sempre em repasses crescentes nos últimos cinco anos. Estamos a falar de alguma coisa superior a R$ 2,5 milhões anuais.

Ou seja, como fez com outras entidades populares e organizações não-governamentais, o petismo comprou o caráter ideológico desse pessoal e criou o tipo novo de “movimento cordial de base.” E não adianta argumentar que falta hoje à União Nacional dos Estudantes e a outras entidades de semelhante linha de atuação a chamada “bandeira de luta.” É verdade que não há ditadura para ser derrubada e nem tem mais cabimento falar na construção do socialismo. Mas nunca deixou de estar na ordem do dia a reivindicação da qualidade do ensino.

Disso eles não falam, pois estudar que é bom não é a prioridade de muitos dos integrantes do movimento estudantil, que preferem a militância profissional aos livros e à freqüência em sala de aula. Em tempo: a nova diretoria da UNE, eleita no último fim de semana, tem sim uma bandeira de luta. Está engajada na eleição da companheira Dilma Rousseff à Presidência da República. Alguém aí se lembra “da pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações?” Vai passar!

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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