Desdobramento de uma crise inacabada

Os desdobramentos da crise norte-americana não são promissores.

Por Luis Nassif, colunista do Último Segundo

1. Houve uma mudança definitiva de padrão de consumo dos norte-americanos. Mesmo que a economia volte a crescer, o trauma da perda de riqueza certamente vai levar pelo menos uma geração para ser superada.

2. No meio do terremoto, todas as ações são válidas, até arrebentar com as contas públicas. O fato de se ter um novo presidente cria um mar de expectativas favoráveis. Depois, a demora em se obter resultados vai minando essa popularidade.

3. A grande influência do poder financeiro fez com que grande parte da ajuda se destinasse à recomposição dos bancos, não necessariamente a injetar liquidez na economia. Se não interfere na ponta (o consumidor ou a empresa endividada), se não se recompõe seu passivo, de nada adiantará bancos salvos, com clientela sem condições de contrair crédito.

4. O desafogo no setor financeiro reduziu as pressões por medidas mais severas contra a especulação. Os fundos hedges estão de volta e o câmbio brasileiro já sente a pancada, devido à irresponsabilidade continuada da política monetária do governo Lula.

5. Em breve o fantasma da inflação será agitado – tanto nos EUA quanto aqui – para justificar elevação dos juros.

Em suma, há risco de 2008 ter sido apenas o primeiro estertor do modelo, não o último.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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