Terrorismo contra o fim do fator previdenciário

Marco Tulio Kalil Ferreyro, no site Millenium 

O fim do fator previdenciário versus Fim do Futuro dos nossos filhos e netos

É muito fácil se eleger Paulo Paim, empunhando bandeiras e legislando pró aumentos “surrealistas” do salário mínimo e em defesa de uma maior renda para os aposentados. Difícil é eleger um estadista, o “mico leão dourado” da política tupiniquim. Estadista é o político que propõe e trabalha com afinco por avanços institucionais, pelas reformas, pelo ajustamento duradouro das contas públicas, por políticas em prol da prosperidade econômica e do desenvolvimento humano, das liberdades econômicas e individuais. O Estadista sabe que somente com visão e pensamento estratégico se constrói uma sociedade livre, aberta, democrática, plural, rica, fraterna. Já o político comum (ou será profissional o termo mais apropriado?), especialmente aqueles que se dizem, “social” alguma coisa, “trabalham” arduamente em favor da construção de políticas de inclusão social, de igualdade, de “justiça social”, as quais na maior parte das vezes incorrem num assistencialismo paternalista, clientelista e corrupto que resulta numa sociedade igualitária e pobre, vassalos, tristemente reféns das raízes do atraso e indelevelmente subjugados aos seus senhores feudais, também conhecidos como, patrimonialistas.

Toda esta introdução é apenas para oferecer uma contextualização da real dimensão da proposição do fim do Fator Previdenciário. Neste sentido, inicialmente vale dizer que o emprego do fator previdenciário resulta numa redução no valor do benefício apenas para quem quiser antecipar sua aposentadoria, visto que aqueles que optarem por continuar em atividade por mais tempo obterão ganhos. Vale registrar ainda, que em outros países regras semelhantes ao fator previdenciário são aplicadas, também com a possibilidade de antecipação da aposentadoria

O fator previdenciário brasileiro é baseado no modelo da Suécia, com a diferença que no modelo sueco a antecipação é possível a partir dos 62 anos. O principal ponto negativo do fator previdenciário é que ele não permite ao trabalhador ter segurança sobre o valor do benefício a que terá direito no futuro, uma vez que, a cada ano, a expectativa de vida é alterada, produzindo impacto no cálculo da aposentadoria. Entretanto, convém ressaltar que o fator previdenciário somente incide sobre o cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição, que representam apenas 10% dos benefícios concedidos mensalmente pela Previdência, e 16% do volume de benefícios pagos. Como são aposentadorias com valor mais alto, tal volume corresponde acerca de 28% dos custos do sistema previdenciário.

O problema: Com o fim do fator previdenciário, não haverá mais garantia da sustentabilidade e do equilíbrio do sistema previdenciário. Desta forma, não restará alternativa ao governo: Ou aumenta ainda mais a carga de impostos que já se encontra acima da capacidade contributiva da sociedade ou corta despesas em outras áreas, como saúde, educação e habitação social. É a “Escolha de Sofia”…

Por isso, excelentíssimo senhor senador Paulo Paim, não adianta querer legislar em prol de uma situação boa para os atuais aposentados, que não esqueçamos, são nossos avós e ao mesmo tempo, infelizmente, legando um futuro sombrio para nossos filhos e netos, as gerações vindouras. Nobre senador, no dia do amigo, seja amigo daquelas crianças e jovens que serão os trabalhadores de amanhã e os aposentados de depois de amanhã!  Renda-se ao cálculo atuarial: Mantendo-se o fator previdenciário sem nenhuma alteração, o custo dos benefícios previdenciários subirá dos atuais 7% do PIB para 11% em 2050. Agora, se houver alteração das regras e a extinção do fator previdenciário, as despesas se elevarão para 36% do PIB nas próximas quatro décadas. É o tão temível cenário de explosão da bomba relógio do rombo previdenciário.  Eis aí, o tamanho do custo que estaríamos impondo às futuras gerações. Numa visão altruísta, o governo deve ter o compromisso de manter a Previdência equilibrada e segura não somente para os nossos avós (atuais aposentados), mas, também, para nossos filhos e netos, os futuros trabalhadores.

Mormente, o que sobressai de mais perverso desse quadro, é a constatação de que o Brasil aloca o seu gasto público social de forma ineficiente e ineficaz, privilegiando de forma completamente desproporcional o grupo social dos idosos em detrimento das crianças e jovens, que tem muito mais potencial para contribuir com o desenvolvimento do país. Logicamente, não se está apregoando aqui o abandono dos idosos. O contingente populacional que se encontra na faixa etária da chamada terceira idade, outrora integrou a população economicamente ativa (PEA) e obviamente muito contribuiu para a geração de riquezas no país, devendo, portanto ser respeitada. O que está em questão é a constatação não menos óbvia, de que o direcionamento do gasto social qualificado para educação média e fundamental das crianças e jovens produzirá efeito mais benéfico em termos de desenvolvimento do país do que se fosse direcionado para os idosos. Tal contexto remete para uma profunda reflexão sobre a falta de planejamento estratégico e de execução de ações de política econômica de médio e longo prazo, que permitam colocar o país na rota certa, uma vez que, a permanecer-se no atual e equivocado caminho, o grande risco é de o Brasil envelhecer pobremente, ao contrário, pois, dos países desenvolvidos, que, antes de verem suas pirâmides etárias se inverterem, geraram as riquezas necessárias para criação de um welfare state (estado no qual o bem estar dos indivíduos é obtido através dos “esforços” organizados do governo e não através das organizações privadas), que inclusive já apresenta claros sinais de exaustão, especialmente na França.

A história econômica da humanidade já deu provas cabais de que a riqueza de uma nação é construída através do capital educacional de seus residentes, da boa governança corporativa de suas empresas, do valor ético-institucional de sua classe política e do cumprimento das funções precípuas (educação, saúde, segurança e justiça) de um Estado descentralizador que produza através de planejamento estratégico, ações governamentais eficientes e eficazes no sentido da mitigação das desigualdades de oportunidades, através da redução das desigualdades educacionais, único caminho capaz de reduzir as desigualdades de renda. Somente através de um povo melhor educado, mais qualificado e capacitado a encontrar um lugar ao sol no mercado de trabalho ou do empreendedorismo, alcançaremos a prosperidade econômica e o desenvolvimento humano.

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Veja aqui especial sobre a aposentadoria que desmonta essa versão falaciosa e terrorista.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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12 respostas para Terrorismo contra o fim do fator previdenciário

  1. Otto disse:

    Presidente Lula, o que você está fazendo?
    Você não tem que fazer melhor para o Brasil, e sim melhor para os brasileiros.
    Você usufruil do legado do Fernando H.Cardoso, e simplesmente não fez nada de bom para o povo, muito pelo contrário, estas cestas básicas só ajudam as pessoas a não fazerem nada.
    Para de mentir para os brasileiros.

  2. Otto Rastoldo de Souza disse:

    Sr. Marco Tulio Kalil Ferreyro,

    O Brasil rico como todos sabemos, nao tem dinheiro para pagar os aposentados?

    Tem dinheiro para emprestar ao FMI, comprar avioes ,aposentar os politicos com 8 anos de mandato e etc.

    Vai prejudicar a saude e educacao?
    Esta brincando. Que saude, que educacao, que seguranca.

    Voce quer dizer que todos os problemas acima citados sao de responsabilidade dos aposentados ?

    Que planajamento. Eu conheco os planajamentos que sao divulgados pela midia, por exemplo:
    planejamento do dinheiro na cueca,
    Os planejamentos do Sarney,
    Planejamento do Valerioduto,
    Planejamentos do Jose Dirceu.

    O governo e otimo em planejamento para si prorprio.

    Nao me enteressa o seus planejamentos absurdos, ou melhor a falta de planejamento, seriedade, honestidade e patriota acima de tudo, predicados que os nosso politicos nao tem, ou esqueceram de planejar.

    Assassinos de idosos.
    Ladroes do povo.

    O Brasil vai se tornar a maior potencia do mundo, mesmo com uma anta no poder, porem
    o povo continuara na miseria.

    sds,

  3. SANDRA MENESES disse:

    Este sr. deve estar vivendo em um outro pais, decidio falar sobre um assunto que com certeza não conhece.
    São pessoas com o sr. Marco, que fazem este pais ser o que é.
    Que tristeza!

  4. JODEIAS disse:

    NUNCA LI TANTA BESTEIRA JUNTA EM UM SÓ COMENTARIO!!
    ACORDA MEU CHAPA!!

  5. Salgueiro disse:

    Senhores

    Precisamos parar de reclamar, sou aposentando e a unica solução é mostrar aos governantes uma equação relativamente simplesl, quanto é descontado para o INSS e quanto é o gasto com o pagamento dos aposentados, feito está comparação é feita uma grande mobilização e tenho certeza que nossas reivindicações serão avaliadas mais a serio não adianta só reclamar é preciso ação muita ação.

  6. Cecilia disse:

    Sebastião Moretti, você se esqueceu de citar o transportes público insuportável que temos, que é uma tortura física e mental que enfrentamos todos os dias por + de trinta anos, e este senhor deve realmente ter nascido em berço de ouro, porque ele não sabe que os aposentados deste áís se aposenta para garantir o arroz e o feijão e tem que continuar trabalhando para manter o que foi conquistado durante todo este período de trabalho, senão tem que começar a vender tudo para conseguir comer, muito diferente de outros países que os aposentados pelo menos uma vez ao ano viajam, passeiam, têm qualidade de vida, e nós conseguimos apenas gatantir o básico do básico, é como se começassemos tudo de novo.

  7. Ricardo Rodrigues do Patrocínio. disse:

    Concordo com os comentários feitos pelos colegas acima. Enquanto o governo entrega à Bolívia seu patrimônio e ao Paraguai concorda a pagar mais pela a energia transmitida, fica demonstrado que tem sim dinheiro sobrando, porém, os aposentados não tem culpa se houve dinheiro desfiado para a saúde, educação e construção de obras públicas e que ainda não foram devolvidos pela União à Previdência. O Presidente em discursos de campanha falava muito sobre a injustiça feita aos aposentados, mas ao sentar na cadeira esqueceu o que falou, isso demonstra que a teoria é uma coisa, a pratica é outra. Esse Marco Tulyo Kalil, só tem teoria e discurso de gabinete, pratica nenhuma. Ao valorizarmos os idosos e aposentados estamos valorizando os nossos filhos, netos e os jovens de amanhã. Abraços, (rrpcariocadagema@gmail.com)

  8. Zig disse:

    Sr. Marco.
    Então vamos fazer assim: Voce deposita 13 parcelas anuais de um valor equivalente a 26 % de R$3000, o0 em minha conta bancária, o que dá exatos R$ 10.140,00 por ano.
    Após 35 anos, isso equivale a dopósito de R$ 354.900,00
    A juros de poupança no período, isso equivale mais de R$ 1.400.000,00.
    Ah. voce se voce mora em uma casa ou apartamento adicione aí mais 20% do valor da construção.
    Agora, depois de 35 anos eu começo a lhe devolver esse dinheiro, pagando na mesma proporção que voce me depositava. ou seja, pago a voce mensalmente um valor cujos 26% equivalem aos nossos R$ 3.000,00 iniciais. (inclusive decimo terceiro)
    ** Ainda não terminou. Como com um capital de R$ 1.400.000,00 sobram só R$ 4.000,00 do rendimento mensal se eu lha pagar os R$ 3.000,00 eu aplico um redutor de 40% sobre esses R$ 3.000 , o que resultará em R$ 2.400, 00 , pois voce ainda é novo, e deveria continuar contribuindo por mais tempo. Confeccionei uma tabela de modo tal, que se voce contribuir durante 65 anos, acabará ganhando o dobro desses R$ 3.0000,00.
    Viu como eu sou bonzinho???
    Isso apezar do rombo no meu orçamento se eu tiver que te pagar R$ 2.400,00 após receber módicos R$ 780,00 por mes durante apenas 35 anos.
    Que tal esse negocião??

  9. Cida disse:

    So os aposentados não tem vêz neste país.
    Quem aposenta por tempo de serviço, não esta antecipando aposentadoria nenhuma. Se foi trabalhado todos os anos que a lei exige para ter direito, que antecipação é essa?Se só 10% das aposentadorias concedidas sofrem com esse fator previdenciario e 10% é tão pouco, então porque prejudicar poucas pessoas.A qual valor alto se refere?Ao dele?Porque no meu caso é 600,00 minha aposentadoria. Isso é valor alto. Ele deve fazer as contas pelo salário dele né! Nosso aliado Paulo Pain, vai continuar tendo apoio de toda população brasileira. Fazer terrorismo com os aposentados é fácil né. A previdencia vai sobreviver sim sem o fator previdenciario é só parar de desviar o dinheiro da previdencia para outros fins(empréstimo bancos, FMI) etc. Devolva com justiça ao povo o que é do povo.

  10. Mauricio Peric disse:

    É muito facil…devolvam tudo que pagamos (+ empresa e governo que nunca colocou a sua parte)com juros e correção…obrigado !

  11. É incrível como ainda aparecem pessoas fazendo tal tipo de comentário, totalmente injusto e equivocado.

    Primeiramente, antes de ter a presunção que o seu julgamento é o correto, avalie antes porque o nosso presidente, arbitrariamente, sem consultar o Legislativo, empresta dinheiro ao FMI, socorra banqueiros, empreiteiras, montadoras, perdoa dívidas, doe dinheiro para outros países e, disperdice-o com outras gastanças inúteis, e venha depois com a maior cara de pau alegar que para aposentados não há dinheiro!

    Os aposentados não querem favores não. Só desejam o que lhes é de fato e de direito, que é uma aposentadoria justa, dígna e compatível com o que durante 35 anos ou mais contribuíram para a Previdência.

    Nem o aposentado nem o senador Paim querem super benefício previdenciário. Não queremos melhora, nem tampouco que o governo piore o nosso benefício. Ano após ano o governo degrada a aposentadoria de 1/3 dos segurados. Mantenha-a paralela ao reajuste do salário mínimo; aliás é isto o que determina a nossa Constituição Federal. Porque 1/3 de aposentados está proibido de receber o mesmo percentual do SM, como se fossem marajás, enquanto os outros 2/3 podem receber o mesmo índice? Que política idiota e esdrúxula é esta?

    Se você teima em afirmar que a Previdência é deficitária, desafio-o a programar um debate com o senador Paulo Paim, previamente marcado para que a sociedade assista, o massacre que a sua bazófia sofrerá.

  12. SEBASTIÃO MORETTI FILHO disse:

    Prá quem começo trabalhar aos 30 anos, nasceu em berço de ouro, não tem o direito de falar nada a respeito deste assunto. Pergunta a este homem se ele se levantou as 5 horas da manhã, enfrentando chuva, sol, frios, comendo comida gelada, trablhou em olarias, se ele enfrenotu pesados trabalhos como eu e a maioria dos brasileiros. A compara ção que fz com estes países que menciona está bem longe de se levar em conta. Outra coisa. Para custear tudo isto que ele apregoa, que é saúde, educação, e outros mais, os recursos jamais tem que ser transferido da previdência que os trabalhadores acreditaram pagando rigorosamente, impostamente. Quando comecei trabalhar lá a 35, 40 anos atrás, niguém me perguntou se queria ou não pagar. Romperam nosso contrato no meio do caminho. Perguntem qual a previdência ele paga. Se ele se sugeita a aposentadoria no mmesmo molde em que pagamos. Eu dependo de minha aposentadoria, ele depende? Então olhar só para o apecto financeiro, não é por aí.

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