Mercados “no fio da navalha”

Os mercados e as economias mostram estar “no fio da navalha”, enquanto permanece sendo lugar comum entre os “analistas” a avaliação de que as perspectivas dos ativos de risco dependerão do ritmo e da extensão que a recuperação da economia mundial assumirá.

O fato que os desequilíbrios mundiais estão sendo corrigidos é indiscutivelmente, por si só, uma boa nova. Contudo, as reduções de dívidas, a crescente tendência de poupança, uma dinâmica produtiva superavitária e uma demanda por empréstimos enfraquecida contribuem para a sensação de que determinadas frentes abertas continuam ocupando os mercados.

Espera-se que desempenharão papel catalítico na evolução dos investimentos e, naturalmente, dos desempenhos, ao longo dos próximos meses. O primeiro parâmetro diz respeito à evolução das economias. Hoje, avalia-se que elas registraram aquilo que denomina o “fundo” (trough), as perspectivas melhoram com os incentivos fornecidos pelos governos e bancos centrais como catalisadores, e determinados economistas não excluem que a atividade industrial e transformadora se recuperarão dinamicamente.

Todavia, o impulso que surgiu pelos incentivos fiscais deverá expirar gradualmente, enquanto as onerações tributárias aumentarão a fim de cobrir gastos maiores. As preocupações com os déficits fiscais poderiam impulsionar o custo do endividamento ascendentemente, no caso de os desempenhos dos bônus de longo prazo melhorarem, ao mesmo tempo em que o contínuo processo de redução da desmanipulação dos bancos e das famílias impede uma recuperação econômica forte.

Possível crescimento “W”

A maioria dos economistas aposta na possibilidade de uma recuperação econômica de tipo “W”, já que o indispensável saneamento dos balanços por parte de bancos e governos inviabiliza uma rápida recuperação da atividade econômica. Já um percentual muito menor aguarda uma recuperação de formato “V”, baseada no fato de que os governos e os bancos centrais continuarão canalizando volumes elevados de dinheiro barato a fim de apoiarem a recuperação.

Porém, não se exclui o cenário de uma recuperação gradual (mesmo que astênica), com oscilações. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial continuará evoluindo de forma ascendente até o segundo trimestre de 2010, mas em continuação espera-se que recuará novamente a níveis inferiores no segundo trimestre de 2011, os quais, contudo, serão superiores aos deste ano. O segundo parâmetro básico diz respeito aos desempenhos operacionais das empresas, que nos últimos tempos apresentam uma relativa melhoria, fato que tem como resultado a revisão das avaliações para a futura lucratividade das empresas.

Vários economistas, aliás, não excluem um novo aumento real de desempenhos operacionais no quarto trimestre deste ano, mas algo assim não se provará suficiente para impedir a classificação deste 2009 como o segundo ano consecutivo com redução de lucratividade. De acordo com avaliações, baseadas em pesquisas da Thomson Financial realizadas no final do mês passado, os desempenhos operacionais das empresas do indicador mundial de ações MSCI (MSCI World) deve recuar 16,4% neste ano, e para 2010 prevêem uma virada com ritmo de aumento de 21,2%.

Os desempenhos operacionais das empresas do indicador MSCI Europe na Europa, avalia-se, recuarão 20% neste ano antes de valorizarem 21% em 2010. Um terceiro parâmetro refere-se à evolução da inflação. Em vários dos países desenvolvidos, a inflação despenca para níveis quase zerados, mas, conforme se avalia, será evitada uma crise deflacionária generalizada.

Em cenário mais a longo prazo, a inflação permanece abaixo dos níveis regulares (subpar) em sintonia com a existência de excessivo dinamismo produtivo (excess capacity), o que afasta o temor de criação de pressões inflacionárias.

Expectativas inflacionárias

Segundo se comenta nos mercados, a quatitative easing (flexibilização quantitativa) e os movimentos dos bancos centrais – de um modo geral – levam ao crescimento das expectativas inflacionárias, enquanto os déficits fiscais e a explosão da dívida pública de várias economias tornam o iminente aumento da inflação (talvez não a partir do ano que vem) quase inevitável.

É característico que, em encontros dos analistas de Credit Suisse com investidores institucionais das duas margens do Atlântico, eles tenham avaliado que deve-se preparar o portfólio de forma a evitar uma eventual alta da inflação. Com o âmbito acima, se há dois meses o ponto de vista predominante entre os administradores de portfólios institucionais era “venda em uma provável corrida”, hoje – conforme decorre das posições “secretas” registradas pelo Credit Suisse – sua estratégia evolui mais próxima ao ponto de vista “compre em provável correção dos preços”.

Contudo, após 9 de março, existem os seguintes fundamentos: os setores com fortes características cíclicas e os mercados emergentes (em relação aos desenvolvidos) registraram bons desempenhos, e fenômenos assim são observados quando se inicia uma recuperação com caráter não prematuro. Entretanto, com os altos desempenhos empresariais dos últimos tempos, os fundamentos indicam que as ações n evoluirão mais “lateralmente” o espaço temporal seguinte, com desvio próximo a 10%.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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