Crise: era de debilidade e instabilidade econômica

Crescimento mundial de 2,5% no ano que vem, e de -1,5% neste. Esta é a previsão do Deutsche Bank, que promoveu uma revisão ascendente em suas avaliações, algo decorrente principalmente das perspectivas melhores nas economias desenvolvidas, mas também de previsões melhores para as exportações e investimentos — que refletem maior confiança na eficácia das providências das autoridades governamentais.

Por Laura Britt, no Monitor Mercantil

Desde meados da década de 1980, a volatilidade nos fundamentos macroeconômicos recuou, caracterizando uma época que os comentaristas econômicos de então chamaram “época da Grande Moderação”. Durante aquele período, a volatilidade no crescimento econômico e na inflação foi reduzida, e a credibilidade dos bancos centrais melhorou. O resultado foi a redução do desempenho a mais que exige-se para a assunção de risco.

Também foram reduzidas as taxas de juros, ao mesmo tempo em que se normalizou a diferença entre as taxas de juros de curto e de longo prazo. Isto influenciou todas as categorias de capitais positivamente, principalmente nas aplicações de alto risco.

Mas, aquele período trouxe vários desequilíbrios na economia mundial. Exemplo gritante é o déficit na balança de pagamentos dos EUA. Por outro lado, as economias emergentes e os exportadores de matérias-primas registraram superávit em suas balanças.

Criou-se uma assimetria, também, no sistema financeiro. Os problemas que o setor financeiro enfrentou foram originados pela conjugação e relação de excessiva liquidez e exacerbação da titulação de dívidas, que por sua vez elevaram o custo e a disponibilidade dos créditos em níveis tais que alimentaram a expansão de crédito. Em consequência, a “bolha” no mercado de casa própria provavelmente foi resultado de todos os fatores acima, e não a fonte do problema. Os gastos das famílias também registraram excessos em relação aos rendimentos existentes.

Uma grande parcela da riqueza criada nos últimos 20 anos pode ser atribuída aos benefícios gerados pela conjugação de globalização, progresso tecnológico e aumento maciço dos níveis de dívida no mundo desenvolvido, particularmente nos países anglo-saxãos. Enquanto os consumidores ocidentais consumiam cada vez mais bens provenientes dos países emergentes (principalmente os da Ásia), estes compravam as dívidas dos países ocidentais e assim o sistema funcionava.

Agora este sistema se desestruturou, e o Deutsche Bank avançou um passo a mais. A nova época sinaliza o fim do modelo econômico que predominou no mundo desde meados da década de 1980, no qual predominaram ritmos elevados de crescimento e a estabilidade dos fundamentos macroeconômicos. Neste momento, o mundo adentra em uma época de crescimento débil e instabilidade econômica.

Desequilíbrios nas balanças

No novo mundo que está sendo conformado, avalia o Deutsche Bank, os desequilíbrios nas balanças de contas correntes dos países serão menores, assim como serão menores os capitais para investimentos destinados ao financiamento dos desequilíbrios.

Assim, os estados deverão equilibrar melhor a poupança com seus investimentos.

Com o consumo mundial recuando, em consequência da desmanipulação (redução de empréstimos) das empresas e das famílias nas economias fortes, desmanipulação esta que não poderá ser substituída por outros (emergentes) países que continuam “guardando dinheiro embaixo do colchão”, a menos que ecluda uma imprevista onda de novas tecnologias e investimentos, as perspectivas por uma repetição dos recentes fortes ritmos de crescimento mundial são reduzidas.

Neste âmbito, um grupo de analistas alemães sustenta que, apesar do regime das chamadas “melhorias limitadas” (green shoots) que se observa nas economias, os mercados já se conscientizam da existência de um “beco sem saída” no cenário de uma recuperação sustentável e contínua a partir dos níveis atuais. Considerando a posição superendividada dos consumidores, as ações poderão permanecer reféns de uma série de “mini-cíclos auto-destruídos”.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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