Gay Talese dá “aula” de jornalismo

O jornalista norte-americano Gay Talese disse, durante entrevista ao Roda Viva, que vai ao ar nesta segunda-feira (20), a partir das 22h10, na TV Cultura, que o jornalismo nos Estados Unidos não foi satisfatório durante o período do governo Bush. “Não foi um bom casamento”, relata.

Talese explica que, depois do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, o jornalismo se enfraqueceu e a tendência de se abraçar a causa anti-terrorista de George W. Bush ficou visível.

“Quando vimos o avião cruzando o World Trade Center não podíamos dizer que aquilo não era verdade”, avalia.

Talese, de 77 anos, 11 livros publicados, um deles sobre os bastidores do jornal The New York Times, ainda fala sobre a melhor entrevista que fez, o que considera ser realmente jornalismo, a influência das famílias no controle dos meios de comunicação e de seu próximo livro, que vai enfocar os 50 anos de seu casamento com a editora Nan Talese.

Aos jornalistas, Gay Talese aconselha:

“Trabalhe duro, vá às ruas, fale com as pessoas”.

O jornalista ressalta que não há história linear.

“O jornalismo não é feito de perguntas e respostas. Circule, veja as pessoas, você vai encontrar outras histórias”, aconselha, mostrando que tais práticas parecem óbvias mas estão cada vez mais distantes do dia-a-dia do jornalista na Era da Informação.

Para o autor de O Reino e o Poder, o jornalista precisa ter “um forte senso de verdade”.

Mas Gay Talese faz uma ressalva:

“É difícil definir a verdade”.

Por isso, conduz o argumento, o jornalismo imparcial torna-se impraticável.

“Políticos mentem, as pessoas mentem. É difícil fazer jornalismo ‘do bem'”.

Propagandas, lobbies, empresários precisam ficar de fora.

“O jornalismo é um grupo separado que informa e seleciona os eventos que existem no mundo”.

No Roda, Gay Talese também fala sobre o controle familiar nos grandes grupos de comunicação. Para ele, o modelo está em retrocesso principalmente por um motivo:

“Cruzar o editorial com a propaganda”.

Consagrado pela entrevista que fez com Frank Sinatra, o jornalista conta que sua melhor entrevista foi com o líoder revolucionário Fidel Castro, quando ele se encontrava entre Miami e Havana, em um avião. “Foi uma entrevista não-verbal. Feita basicamente por observação. Fidel Castro é uma personalidade com grande caráter”.

Gay Talese considera o The New York Times como o melhor veículo de comunicação do mundo, melhor que revistas como The Economist e define o que faz como “falar como as coisas acontecem. Eu faço o meu melhor trabalho. É isso”.

Com agências

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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Uma resposta para Gay Talese dá “aula” de jornalismo

  1. CoMuNiStA do PC do B disse:

    Vou copiar lá pro blog do Tayar para o passoca se instruir. Se depois de cobrir 4 copas do mundo ele não sabe nada, conforme declara, pelo menos vai apreender (atenção digitador, o verbo aqui é outro) com quem sabe, pois burro velho não aprende.

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