Nicarágua comemora 30 anos da revolução

Neste mês de julho, o povo da Nicarágua comemora trinta anos da derrubada do regime do ditador Somoza em 1979.

No dia 19 de julho, tropas guerrilheiras comandadas pela Frente Sandinista de Libertação Nacional entraram na capital do país, Manágua, sob aplauso da população, extirpando de vez a ditadura familiar dos Somoza.

Anastásio Somoza, que havia herdado o poder de seu pai, fugiu buscando asilo nos Estados Unidos, levando ainda as cinzas do seu progenitor e de seu irmão.

Depois de Cuba, a revolução nicaraguense foi a que teve maior simpatia e apoio de amplas camadas da população da América Latina, onde muitos países eram dominados por ditaduras militares.

Significou um tremendo golpe à política externa dos Estado Unidos na América Central.

Para eles, o triunfo do sandinismo significava que a revolução havia saltado da ilha cubana para a América Central, o primeiro movimento guerrilheiro de esquerda no poder no continente.

Os sandinistas realizaram grandes mudanças na economia e na sociedade.

Conseguiram reduzir em dois anos de 50% para apenas 13% o índice de analfabetismo. Campanhas de vacinação intensivas conseguiram erradicar uma série de doenças endêmicas que assolavam o país. Contaram com apoio internacional de organizações de países europeus e voluntários do mundo inteiro que ajudaram na construção de moradias e reformas.

Ao mesmo tempo, enfrentaram uma reação das forças conservadoras de direita orquestradas pelos Estados Unidos.

O então presidente norte-americano, Ronald Reagan, criou bases em Honduras e na Costa Rica, formando um exército com 18 mil homens para apoio aos então chamados “contras” (contra-revolucionários), espalhando a guerra por toda a região.

Prejuízos e mortes

Entre os anos de 1984 e 1987, a Nicarágua sofreu ataques destruindo a infraestrutura de centros produtivos, portos, aeroportos, etc.

Neste período, o serviço secreto norte-americano, CIA, foi acusado de ajudar na colocação de minas nos terminais petroleiros, portos e outros centros vitais da economia nicaraguense.

Calcula-se que os Estados Unidos gastaram cerca de dez bilhões de dólares estimulando a guerra que causou a ruína total da Nicarágua. Em 1989, o país fez um balanço da situação chegando a contar 50 mil mortos, mais de 100 mil feridos e 250 mil deslocados ou refugiados.

Oposição

Em 1990, os sandinistas chamaram a eleições antecipadas para tentar contornar o conflito e perderam.

O pleito foi vencido pela candidata da oposição, Violeta Barrios Chamorro, e a Nicarágua iniciava assim um período de 16 anos de governo com políticas neoliberais.

Uma das primeiras medidas que tomou quando assumiu a presidência, em 90, desobrigava os EUA de pagar à Nicarágua uma dívida de 17 bilhões de dólares.

Esta quantia tinha sido estabelecida na Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, quando os Estados Unidos foram condenados por promover uma guerra de agressão ao país durante a Revolução Sandinista.

Em 2006, o partido Sandinista ganhou as eleições e o ex-presidente Daniel Ortega voltou a reger o país. Atualmente, muitos dos antigos sandinistas fazem parte da oposição.

Fonte: Rádio Nederland Weraldomroep

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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