Carpeggiani e Renato Gaúcho “duelam” sobre Gre-Nal

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Por Marcela Rocha, na Terra Magazine.

Ao menos em um aspecto um colorado e um gremista concordam: “Todos os Gre-nais são jogos especiais” é o que dizem Paulo César Carpeggiani e Renato Gaúcho sobre o clássico que neste domingo, 18, comemora 100 anos.

Embora concordem sobre a grandeza do clássico, Renato, ex-Grêmio, e Carpeggiani, ex-Internacional, têm preferências por um ou outro jogo, por um ou outro gol. Hoje técnicos, cada um tem o seu clássico especial.

Para o colorado, um Gre-Nal que modificou sua vida:

Em 13 de julho de 1975, Inter e Grêmio disputavam a partida de número 217. Estádio cheio. No primeiro tempo os colorados ganhavam de 2 a zero com um gol do Carpeggiani, sem pulo, de primeira e de fora da área. Tum, no ângulo.

Nesta mesma partida, o segundo tempo foi regado a temporal, o que deixava o jogo quase impossível. Final da disputa, o meia-armador distende a virilha: seis meses sem jogar. “Foi quando o Flamengo me comprou”, conta.

Para o gremista também há uma partida com um “gostinho mais especial”:

Conquistada a taça do Mundial (em 1983), a imprensa dizia que o mundo era azul. Porém, para os colorados, o Rio Grande do Sul era vermelho. O próximo duelo com o Inter seria um “tira-teima, um jeito de provar que sim, o mundo inteirinho era azul”, lembra o antigo ponta-direita do Grêmio. Dito e feito: 4 a 2 para o time tricolor em casa. “Aí sim, o mundo todo ficou azul, azul”. E brinca: “Foi o melhor Gre-Nal…”

A Terra Magazine, ambos falam do respeito que tinham pelo adversário, mas reforçam que a vitória no Gre-Nal tinha e tem um gosto diferente, independentemente do que estiver sendo disputado. “Fiz mais gols no Taffarel do que perdi”, provoca Renato sem esquecer de dizer que o amigo foi “o melhor goleiro que esse País já teve”. Taffarel é ex-Inter.

“Eu entrava sempre para ganhar o Motoradio (modelo mais famoso de rádio durante a década de 80)”, diz Carpeggiani que se refere ao prêmio dado aos jogadores destaques das partidas. “Em Gre-Nais, eu tive coleção disto”, brinca o antigo meia-armador do clube colorado.

A expressão que dá nome ao clássico surgiu em 1926, quando o jornalista e gremista Ivo dos Santos Martins, cansado de ter de escrever por extenso os longos nomes dos dois clubes, cravou “Gre-Nal” pela primeira vez. Não à toa o tricolor vem antes na abreviação de Ivo.

O primeiro Gre-Nal da história foi um amistoso entre os clubes. Grêmio já tinha 6 anos de vida e Inter era recém fundado. Goleada: a rede vermelha e branca balançou 10 vezes. O Inter não fez nenhum gol. “O Grêmio é um time de muita tradição”, afirma Renato Gaúcho que defendeu o clube até 1986, quando foi para o Flamengo.

O recorde de partidas invicto é colorado: 17 jogos na década de 70. O maior artilheiro da história dos clássicos é Carlitos, do Inter: o atacante marcou 42 gols em 62 Gre-Nais. Mas para Carpeggiani, o Inter não é superior ao Grêmio. “São dois times de muita tradição que passam por etapas. Algumas vezes o colorado está melhor, outras o tricolor”.

No domingo, vai acontecer o 377ª edição do clássico. O Internacional venceu 141, enquanto o Grêmio ganhou 118. A vantagem numérica do Internacional se deve também à década de 1970. “Deixando a modéstia de lado, enquanto joguei no Inter, ganhei todos os títulos, sou octacampeão”, conta Carpeggiani. Foram 40 confrontos e apenas 4 jogos perdidos para o rival. Beira-rio recém construído e um grande time. “Neste período o Inter era, obviamente, superior”, avalia. Nesta década, Carpeggiani defendia a camisa colorada junto a Falcão e Caçapava.

Eu nasci alí, eu cresci alí…

“Sou colorado, nasci e cresci no Rio Grande do Sul”, justifica Carpeggiani. Renato Gaúcho, já sem o sotaque riograndence, afirma contundente: “Sou gremista, claro”.

– Acho que o Inter está bem. Disputou competições paralelas, o que é muito difícil apesar de ter um grande elenco. O time sentiu o peso de várias competições e em momentos cruciais, como a Copa do Brasil, acabou não levando o título que tanto queria – diz o então técnico do Vitória.

– O Grêmio não está tão bem nem tão mal. O Paulo Autuori representa uma nova fase do time. E eu, como gremista, torço para que o clube fique bem. Mas, no geral, o futebol está usando muita força e pouca técnica, antigamente era diferente, era mais equilibrado – afirma Renato.

Para este domingo, Renato Gaúcho espera “a vitória, é claro”. Carpeggiani surpreende e torce pelo empate, porque assim não seriam colocados “pontos de interrogação” no trabalho de nenhum do dois técnicos. “A vitória em um Gre-Nal seria fundamental para a auto-afirmação do Paulo Autuori no Grêmio”, avalia. Mas, como não poderia torcer pela vitória do time tricolor, acredita que o empate seria “bom para os dois”.

Concordar? Nem sobre a vitória.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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