Relatório da Unctad defende mais Estado na economia

O Estado deve exercer um papel maior nas políticas de desenvolvimento dos países mais pobres do mundo a fim de ajudá-los a sair da crise financeira global. A conclusão é de um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). De acordo com o documento, será preciso que os governos aprimorem os mecanismos de gestão em seus países para vencer a crise.

O relatório aponta aínda um problema adicional para a maioria dos 49 países menos desenvolvidos (LDCs, na sigla em inglês) do mundo: o crescimento econômico deles não acompanhará o aumento da população neste ano. “Esta é uma situação muito grave e para lidar com ela será necessário coordenar ações nacionais com ações internacionais”, disse Charles Gore, economista da Unctad e um dos autores do relatório. “A crise expôs mais do que nunca as deficiências do atual paradigma de desenvolvimento”, afirmou. “Os LDCs deveriam encarar a crise como uma oportunidade para mudança.”

A Unctad diz que os países “em desenvolvimento” precisam ir além da reforma institucional e centralizar-se na boa “governança” – a forma como um país é governado. Isso deveria ser baseado na participação, na justiça, na honestidade, na responsabilidade por prestar contas, na transparência e na eficiência, afirma o relatório. Os governos deveriam usar a política fiscal como estímulo para combater a crise e investir em infraestrutura, com a ajuda estrangeira para reduzir os déficits, e encorajar o setor privado a mobilizar recursos, acrescenta.

A Unctad afirmou que os países “em desenvolvimento” deveriam investir no aumento da produtividade agrícola para garantir a segurança alimentar, refletindo preocupações ilustradas pela promessa dos líderes do G8, feita na semana passada, de reservar US$ 20 bilhões ao longo de três anos para ajudar os países pobres a alimentarem a sua população. O relatório também diz que os países “em desenvolvimento” podem usar a política industrial para fortalecer a indústria — tradicionalmente um ponto fraco das economias africanas — concentrando-se em tecnologia e no conhecimento para desenvolver setores com retorno promissor.

Produtividade

Gore disse que os governos dos países “em desenvolvimento” estavam cada vez mais dispostos a adotar políticas que os possibilitassem a aumentar a produção e o emprego, e que eles poderiam introduzir rapidamente as abordagens defendidas pela Unctad, como estabelecer “coalizões de crescimento interno” entre os setores público e privado. Entre os países que estão fazendo isso, Ruanda formula uma estratégia nacional, Zâmbia identifica setores prioritários e competitivos, Bangladesh incrementa a produtividade agrícola e as exportações de produtos manufaturados e Malauí passou de importador a exportador de alimentos ao subsidiar fertilizantes, afirmou.

O relatório é baseado em dados do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU prevendo que as economias dos 49 LDCs crescerão 2,7% em 2009, em comparação com uma média de 7,4% ao ano no período entre 2003 e 2008. À exceção de Bangladesh, responsável por cerca de 25% da produção do grupo, o crescimento será de apenas 2,1%, abaixo do crescimento da população, em razão da queda do PIB per capita, com os países africanos (que dependem mais das commodities) sendo mais duramente atingidos que os países da Ásia.

Com agências

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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