Entidade critica “operação de guerra” do Exército no Araguaia

Integrantes do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio e familiares de militantes mortos na Guerrilha do Araguaia acusaram o governo brasileiro de “continuar a violar convenções internacionais” por, segundo eles, não agir concretamente para recuperar os corpos dos desaparecidos no confronto.

Eles criticaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pela montagem do que chamaram de “operação de guerra”.

A movimentação, avaliam, assustará a população local, detentora de informações importantes sobre a localização das ossadas.

Também pediram que sejam chamados a prestar depoimento militares que participaram da repressão aos guerrilheiros.

“O ministro Jobim teve o desplante de levar para uma reunião o general-chefe do serviço de inteligência do Exército”, disse Victória Grabois, que perdeu três parentes no conflito: o pai e comandante da guerrilha, ex-deputado Maurício Grabois, o irmão André Grabois e o primeiro marido, Gilberto Olímpio Maria.

“Achei um acinte, havia familiares de desaparecidos ali.”

Os familiares e o GTNM-RJ afirmaram que o governo só está agindo agora por ter sido condenado na Justiça brasileira e estar sendo processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos para que localize os corpos.

A presidente do GTNM-RJ, Cecília Coimbra, criticou a política de reparação financeira aos anistiados, iniciada em 1995.

“A reparação econômica é muito importante, mas é o fim de um processo”, afirmou, lembrando que essa é a posição da Organização das Nações Unidas (ONU) e inclui a apuração do que aconteceu durante as ditaduras.

“O Brasil é o mais atrasado nisso entre os países que passaram por ditaduras. Foi o mais avançado na exportação da tortura e é o mais atrasado na apuração. Não é por acaso que o governo brasileiro coloca a indenização no início”, disse.

Victória também criticou.

“O governo deu o dinheiro para ver se calamos a boca. Não queremos dinheiro. Queremos a verdade.”

Elisabeth Silveira e Silva, irmã do guerrilheiro desaparecido Luiz Renê Silveira e Silva, protestou contra o artigo “A guerra acabou”, de Hugo Studart, publicado na edição de 6 de julho no jornal O Estado de S.Paulo.

No texto, o autor diz que Luiz Renê e outros dois guerrilheiros, Hélio Navarro de Magalhães e Antônio de Pádua Costa, se entregaram ao Exército e ganharam novas identidades.

Navarro, segundo ele, vivia até pouco tempo em São Paulo.

“É um artigo absolutamente calunioso”, criticou ela, que disse que entrou com interpelação judicial contra o autor e o jornal.

Os participantes da entrevista, na sede da Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE), voltaram a pedir a abertura dos arquivos da ditadura.

A informação é da Agência Estado

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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