Um século de um grande escritor comunista

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Do site Substantivo Plural

Por DAMATA

Dalcídio Jurandir – Um século de um grande escritor comunista

Para François Silvestre

Um dos maiores escritores paraenses foi Dalcídio Jurandir, nascido na ilha de Marajó a 10 de fevereiro de 1909. No seu centenário é re-editado pela UFPA um dos seus maiores livros “Belém do Grão Pará”. Esse livro é o quarto volume da série Extremo Norte e traça um painel memorialístico, etnográfico e imagético do Pará de outrora. O sub-título desse livro lançado inicialmente pela editora Martins podia se chamar “Os Alcântaras, a família gorda. Alfredo, o personagem – menino de “Chove nos campos de cachoeira “ e “Três casas e um Rio” é trazido pela mãe para Belém do Pará , onde se hospeda na casa dos Alcântaras para estudar.

Esse personagem podia ser o próprio menino pobre Dalcídio que vem estudar em Belém no ano de 1922. As histórias da literatura brasileira reserva pouco espaço para esse importante escritor paraense nascido na lendária ilha de Marajó. Marájó de búfalos, mangueiras e uma das mais belas cerâmicas do mundo, com suas urnas funerárias, tartarugas, sapos e outros objetos ritualísticos. Marajó é outro grande livro escrito pelo Dalcídio Jurandir. Na opinião do crítico Fausto Cunha é um dos maiores livros de toda a literatura brasileira. Aprendemos muito sobre a história , costumes e tradições através dos romances.

Os romances de Dalcídio são um rico manancial sobre a grande região Amazônica, com suas crendices, lendas, igarapés, pomares, rios gigantescos, ilhas muitas e uma das mais ricas floras e faunas do mundo. A vida do escritor Dalcídio foi muito sacrificada. Um menino tímido que vivia para ler e viajar. Foi sempre ligado ás causas populares. Um comunista que viaja em 1952 para URSS, junto com um delegação de escritores simpatizantes do comunismo, entre eles Graciliano Ramos. Escreve um Diário de Viagem com suas impressões sobre Amsterdam, Praga, Varsóvia, Minsk e Moscou. Por sua participação na Aliança Nacional Libertadora é preso durante dois messes. Na prisão não está só, pois consegue levar consigo o Dom Quixote, de Cervantes. “ É preciso não perder nunca o entusiasmo de viver”…. “Confie em si, o desalento é um mal que esgota todas as forças morais”( in cartas da prisão, 1937).

Ler o Dalcídio é conhecer um pouco mais no plano ficcional sobre a grande riqueza amazônica. Ficção que nos ensina muito sobre o povo, costumes e tradições dessa região mágica e ainda pouco conhecida dos brasileiros. Quem ama cuida. E uma forma de aprender e conhecer esse rico manancial é através dos seus escritores mais representativos. Dalcídio Jurandir está entre os grandes escritores regionalistas brasileiro, e escreveu 11 livros. Além do romance-proletário “Linha do Parque”, ele escreveu 10 livros da série conhecida como extremo-norte. Entre eles; Passagem dos inocentes, Primeira Manhã, Ponte do Galo, Os habitantes, Chão dos Lobos, As Profetas do Barranco, Arariúna e Ribanceira.

Linha do Parque

Em 1950, Dalcídio viaja para o Rio Grande do Sul e faz pesquisas sobre o movimento operário dos trabalhadores do porto do Rio Grande. Dessa pesquisa será publicado o grande livro “Linha do Parque”, a pedido do partido comunista. Publicado inicialmente em 1959 pela editora Vitória. Em 1962, o livro é traduzido para o Russo. Um romance-reportagem desse grande escritor e jornalista que precisa ser lido mais como um documento histórico que propriamente literário. A saga da operária Angelina e seus companheiros de luta mortos pelo governo é contada num depoimento pungente e humano que precisa ser conhecido de todos aqueles que lutam por um ideal e não se deixam abater com as adversidades. Dalcídio foi exemplo de militante político e grande escritor.

– “ Até a vista, companheiros”

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
Esse post foi publicado em Cultura, história e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Um século de um grande escritor comunista

  1. Caros Colegas,

    Em resposta ao post do filho do Dalcídio Jurandir, José Roberto, gostaria de fazer as seguintes correçoes no post acima.

    A data de nascimento do escritor é 10 de janeiro e não 10 de fevereiro. Favor corrigir

    Estive na bela Belém do Pará por ocasião do Forum Mundial e adorei a cidade
    Os livros “As Profetas do Barranco” e “Arariúna ” não constam na bibliografia do escritor, conforme o José Roberto
    Quando estive aí, comprei todos os jornais. Vou tentar checar as fontes de onde tirei as informaçoes. Não tenho todos os livros. Em minha biblioteca tem uns quatro títulos do Dalcídio.

    Com um forte Abraço,

    Parabéns pelo blog

    Joao da Mata Costa

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