O movimento sindical, os trabalhadores e o Congresso

Por Marcos Verlaine*  

O próximo ano será crucial para os trabalhadores e o movimento sindical, pois será ano de eleição geral no País. Será o momento de renovar o Congresso — Câmara e Senado — as assembléias legislativas nos estados e, principalmente, a Presidência da República.

Diferente de anos anteriores, penso que o movimento sindical deve e pode ter ação mais ativa e efetiva em relação às eleições.

Pouco ou nada adianta o movimento sindical, por meio das entidades — sindicatos, federações, confederações e centrais — definir uma agenda dos trabalhadores para defender no Congresso se não eleger seus representantes.

Ano de eleição é ano de engate e engajamento.

O poder econômico não tem brincado com isso. Em 2006 elegeu 219 representantes para a Câmara dos Deputados e 27 para o Senado Federal. Enquanto a bancada sindical diminuiu nesta legislatura de 70 para 60 a quantidade de deputados e senadores.

Se os trabalhadores, por meio de suas entidades representativas, não compreenderam que eleição é disputa política cujo resultado define a correlação de forças no Parlamento, o movimento sindical já inicia a batalha com baixas importantes.

Assim, 2010 deve ser eleito o ano em que os trabalhadores e o movimento sindical devem se preocupar em eleger uma bancada de representantes dos interesses e em defesa dos assalariados no Congresso.

Nesta arena de luta nem sempre ganha quem faz as melhores articulações e influencia mais. Há muitos e variados momentos em que a força numérica tem papel relevante no processo decisório.

Portanto, construir uma unidade em torno desta perspectiva será importante para demarcar, desde já, o processo que desemboca nas eleições no próximo ano.

Pauta dos trabalhadores

Para viabilizar a “pauta trabalhista” apresentada pelas centrais — CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CGTB — em maio ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), será necessário fazer bancada.

Os trabalhadores não terão êxito ou esta perspectiva estará mais distante do horizonte se novamente o capital vencer o pleito de 2010, como tem feito ao longo de todo o processo de eleições diretas no País – para as vagas no Parlamento.

É hora de o movimento sindical se despir de quaisquer posições que o submeta a mero espectador do processo eleitoral, descer das arquibancadas e entrar em campo para jogar o jogo, a fim de contribuir para que o resultado seja o melhor possível para os trabalhadores.

A atuação unitária e organizada do movimento sindical nesse processo, creiam, fará grande e importante diferença!

Unidade do movimento e clareza de objetivos

A unidade das centrais, a organização, os recursos materiais e financeiros têm projetado positivamente o movimento sindical, que diante da crise foi capaz de mobilizar e apresentar propostas à sociedade, ao Governo e ao patronato neste momento em que o emprego e a renda dos assalariados estão em jogo diante da economia em dificuldades.

Sem os elementos citados acima não seria possível avançar diante do quadro nebuloso e das dificuldades que surgiram com a eclosão da crise no centro financeiro do mundo – os EUA, que atingiu o Brasil e a economia real, com reflexos na renda das famílias.

O êxito de toda e qualquer empreitada não é produto de mero desejo, mas das condições objetivas que se definem em torno dos objetivos traçados.

Maturidade e força

O movimento sindical, por meio das centrais, tem demonstrado muita maturidade para enfrentar os desafios impostos pela crise na economia e no mundo do trabalho.

Essa maturidade se expressa quando juntas – as centrais – conseguem definir uma agenda unitária, positiva, enxuta e absolutamente exeqüível para debater e aprovar no Parlamento brasileiro.

Isto se dá em razão da atuação unitária do movimento sindical, sobretudo neste quadro de crise.

E mesmo num quadro em que a correlação de forças não é favorável consegue aprovar, na comissão especial, a redução da jornada de trabalho, por exemplo.

E ainda não permitiu que a Convenção 158 fosse arquivada como queria o relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB/MG).

Agora, o movimento sindical precisa demonstrar força elegendo o máximo de representantes ao Congresso Nacional – Câmara e Senado – e também para as assembléias legislativas, passando pelos governos estaduais e até a Presidência da República.

Isto não é retórica. Trata-se de necessidade, pois do contrário não estaremos à altura dos desafios que se avizinham.

Arregacemos as mangas e nos coloquemos à altura desse e de outros desafios que a classe trabalhadora nos exige e delega!

* Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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