Diretor da CIA detona o ex-vice de Bush

Por  Walter Fanganiello Maierovitch no Blog Sem Fronteiras

Cadê as Armas ?

A notícia foi publicada no domingo pelo The New York Times on-line. Agitou os EUA e deixou Dick Cheney — o falcão que foi vice de George W. Bush — em situação delicadíssima. Pode sobrar até para Donald Rumsfeld, o ex-ministro da Defesa, defenestrado por mentiras e conflito de interesses.

Segundo o prestigioso jornal The New York Times, o atual diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), Leon Panetta, descobriu ter Dick Cheney ordenado à CIA a execução de um programa secreto antiterror e determinado, expressamente, que não fosse informado ao Congresso americano. Esta sua determinação deveu-se ao fato de, por lei, haver obrigatoriedade de informação ao Congresso.

O jornal procurou ouvir Dick Cheney, mas não teve sucesso. Por ter cumprido ordem manifestamente ilegal, também poderá ser responsabilizado criminalmente o ex-diretor da CIA George Tenet.

Durante a semana, o mencionado jornal The New York Times havia divulgado queixa de alguns senadores que  reclamaram de “gravíssimas omissões do governo Bush”. Ou seja,  falta de comunicação obrigatória. No fim de semana, a matéria sobre Cheney confirmou as queixas e tornou público um caso concreto. O ex-diretor da CIA George Tenet alegou segredo de Estado para  não falar sobre o caso.

Para Nancy Pelosi — porta-voz dos seus pares deputados —, nunca o governo de Bush informou sobre torturas, como por exemplo o emprego water-bording (simulação de afogamento), para extrair confissões de suspeitos de terrorismo.

Desde que os cidadãos souberam que eram falsas as informações que levaram o então presidente George W. Bush determinar a invasão do Iraque, a inteligência americana caiu em descrédito.

Com relação ao ex-vice de Bush, a notícia de domingo do The New York Times abre caminho para ser reaberta a investigação sobre o “sumiço” de 190 mil fuzis, comprados de uma das empresas de Dick Cheney. Essa investigação acabou arquivada pelo Pentágono, com base em segredo de Estado. Na verdade, confundiu-se “maracutáaia” com segredo de Estado.

O arquivamento é surpreendente, pois a Inspetoria Geral de Intendência para a Reconstrução do Iraque, órgão oficial,  constatou o “desaparecimento” das armas. Estas compradas e pagas pelo governo americano.

Segundo a oficial Inspetoria, no ano de 2004 a empresa KRB — que pertence ao grupo Hulliburton, de Dick Cheney — deixou de entregar ao governo do Iraque as armas adquiridas pelo governo americano, sob a alegação de “desaparecimento” no destino. Frise-se: a empresa de Cheney recebeu pela compra, mas não devolveu o numerário pela falta de entrega ao governo do Iraque.

PANO RÁPIDO. Não só o Brasil é pródigo em falcatruas. No governo Bush, atos secretos serviram para encobrir não só graves violações a direitos humanos, mas saques ao Tesouro. A própria invasão do Iraque atendeu a interesses inconfessáveis referentes à indústria do petróleo.

Sobre o sumiço dos fuzis, uma analista do Centro de Informações da Defesa dos EUA, Rachel Stohl, declarou ao The New York Times: “Não temos a menor ideia sobre onde foram parar aquelas armas desaparecidas. Provavelmente os EUA podem ter fornecido, involuntariamente, as armas para os insurgentes iraquianos. O certo é que a empresa do senhor Cheney foi paga, não obstante  a corrupção, o furto e a péssima gestão”.

Engraçado ter a CIA ficado enfurecida quando Wlademiro Montesinos — a eminência parda da ditadura peruana de Alberto Fujimori e ex-agente contratado a peso de ouro pela inteligência americana — vendeu fuzis para as FARC.  Afinal, malandros não estão concentrados apenas na América do Sul. E Cheney dexou desguarnecido o governo iraquiano sustentado pelos EUA.

Por derradeiro. Fica um alerta aos distintos leitores e comentaristas deste blog “Sem Fronteiras”, de Terra Magazine. As armas vendidas pela empresa de Cheney não estão em depósito no Maranhão, num certo convento transformado em memorial de José Sarney. Pelo jeito, não foram nem fabricadas.

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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Uma resposta para Diretor da CIA detona o ex-vice de Bush

  1. Gostava muito do Dr. Wálter Fanganiello mais já pressenti que ele é igual árbitro da CBF. Apita para a federação que paga mais, i.é, qualquer corrupção no mundo ele arranja um meio de citar o Brasil. Esquece da Itália, França, Inglaterra, Holanda, Suíça, Eua, onde a corrupção campeia. Ele nada fala do rombo dos bancos nessa crise mundial. Perdi a fé que depositava nele. É um democrata que propugna por uma democracia americana, falando inglês.

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