Brasileirão: um G4 que não se sustenta

Por Marcondes Brito é jornalista, no Blog do Noblat

Depois de 10 rodadas, Atlético-MG, Internacional, Vitória e Palmeiras ocupam as quatro primeiras posições do Brasileirão e seriam, a preço de hoje, as equipes classificadas para a Libertadores. Mas é difícil imaginar que um desses quatro termine a temporada como campeão.

O Atlético, que nos últimos 12 clássicos com o Cruzeiro perdeu 10 e empatou dois, aproveitou bem o fato de o adversário jogar com um time reserva para golear por 3×0. O Cruzeiro tem o pensamento voltado para a Libertadores e precisa de uma vitória simples, quarta-feira, contra o Estudiantes, no Mineirão.

O Galo, que nada tem a ver com isso, quebrou um tabu, assumiu a liderança e tem o direito de continuar sonhando. Só que o time do Atlético é apenas mediano e está muito mais pra “cavalo paraguaio”.

A situação do Inter é diferente. O time é forte, mas vive um momento conturbado. Quando ganhou o título Gaúcho, goleando o Caxias por 8×1, a maioria dos comentaristas apressou-se em apontá-lo como o melhor do País. Mas na vida real não é bem assim.

A derrota de hoje (2×3 Atlético-PR), somada aos fracassos nas decisões da Copa do Brasil e da Recopa Sul-Americana, abalaram ainda mais o prestígio do técnico Tite. Domingo tem Gre-Nal. Se for derrotado no clássico, Tite poderá perder o seu emprego para Muricy Ramalho.

O Vitória é uma força nordestina em ascensão. Massacrou e humilhou e Santos (6×2) no Barradão. Está fazendo aquilo que deveria e poderia ser o papel do Sport, campeão da Copa do Brasil de 2008 e que agora “namora” perigosamente o rebaixamento.

Recorde-se que o Vitória estava na Série C até 2006. Este ano ficará satisfeito se permanecer na faixa intermediária. Uma vaga na Sul-Americana já será comemorada com direito a trio elétrico.

E a presença do Palmeiras no G4 é uma surpresa até para o presidente Luiz Gonzaga Beluzzo. Demitiu Wanderley Luxemburgo que ganhava estratosféricos R$ 500 mil por mês e estava procurando um substituto.

Ninguém poderia imaginar que o interino Jorginho (um ex-jogador do Fluminense e do próprio Palmeiras) ganhasse sete pontos nas três partidas em que a equipe esteve sob o seu comando. Agora todos querem mantê-lo no cargo, inclusive (e principalmente) os jogadores.

Beluzzo, um economista consagrado internacionalmente, já está fazendo as contas: Luxa faturava algo em torno de R$ 16,6 mil por dia de trabalho. Jorginho ganha modestos R$ 20 mil/mês. Terá um aumento, sim. Mas coisa pouca, porque o Palmeiras tem um déficit em suas contas superior a R$ 40 milhões.

Vamos ver o que vai acontecer até o dia 6 de dezembro, quando será disputada a 38ª e última rodada do Campeonato Brasileiro. O certo é que não podemos pensar num G4 sem o São Paulo, um time de chegada e que vai se reencontrar; o Cruzeiro, que pode ser tri da Libertadores e ganhar muito mais força; e o Grêmio, que hoje deu uma sapatada (3×0) no Corinthians.

Aliás, o próprio Corinthians não pode ser ignorado. O Timão deve ter entrado em campo hoje ligeiramente abalado com a notícia da morte do travesti Andréa, vitima do vírus HIV. O gordinho esteve irreconhecível. Vai ver que foi por isso.

Anúncios

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
Esse post foi publicado em futebol e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s