Há 105 anos nascia Pablo Neruda

Um dos maiores poetas da língua espanhola, Pablo Neruda nasceu em 12 de julho de 1904 em Santiago no Chile, filho de um operário e de uma professora primária que faleceu um mês depois do parto.

Seu nome real era Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, mas ainda adolescente, adotou o pseudônimo que o tornou famoso em homenagem ao escritor tcheco Jan Neruda e mais tarde, conseguiu alterar seu nome legalmente por definitivo.  

Sua infância e adolescência foi passada na cidade de Temuco onde caiu nas graças da poetisa laureada com o prêmio Nobel, Gabriela Mistral, que ensinava em uma escola de moças.

Com apenas 13 anos de idade, começou a colaborar com o jornal La Mañana e foi lá que publicou seu primeiro poema, Entusiasmo y Perseverancia.

Em 1921 voltou à capital chilena para estudar francês e pedagogia na faculdade e publicou seu primeiro livro, Crepusculario, em 1923 e um ano depois lançou Veinte poemas de amor y una cancion desesperada, que se tornou um de seus trabalhos mais conhecidos.

Neruda nunca terminou o curso superior e logo ingressou no trabalho diplomático, assumindo a função de cônsul em países como Burma, Ceilão, Java, Singapura, Argentina e na Espanha onde viveu em Barcelona e Madri.

Foi nessa época, nos anos 20, que flertou com o surrealismo e com gente como Salvador Dali.

A Guerra Civil Espanhola e a morte do escritor Garcia Lorca (que conhecia pessoalmente) o afetaram profundamente e o poeta se juntou ao movimento republicano.

Em 1939 era cônsul para a emigração espanhola em Paris e logo foi transferido para o México onde se tornou Cônsul Geral. Neste país, reescreveu seu Canto General de Chile, transformando-o em um épico sobre a história da America Latina e de seu sofrido povo. A obra consistia em aproximadamente 250 poemas, divididos em vários ciclos literários.

Retornando ao Chile em 1943, inscreveu-se no partido comunista e dois anos depois foi eleito senador.

A política repressiva do presidente González Videla e sua admiração pelo revolucionário siviético Joseph Stalin levaram-no a viver na clandestinidade, primeiramente em seu país e depois em vários países europeus.

Grande parte de sua produção veio dos anos de exílio como Las Uvas y el Viento (que é um diário de seus anos afastados do Chile) e Odas elementales.

Em 1952 retornou à sua pátria onde construiu sua casa em Santiago, hoje um museu, apelidada de “La Chascona” e recebeu o Prêmio Lênin da Paz.

Em 1958 foi-lhe outorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford e em 1971 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.

Em 1970, saiu como candidato a presidente do Chile, mas abriu mão da distinção para que Salvador Allende vencesse.

Este último lhe deu a embaixada chilena na França e, quando do anúncio do prêmio Nobel, o convidou para recitar seus poemas no estádio de Santiago (em 1945 havia feito o mesmo no Brasil, no estádio do Pacaembu em um comício de Luis Carlos Prestes onde 120.000 pessoas escutaram sua obra).

Com um câncer de próstata detectado em 1973, Neruda viu seus sonhos de um Chile socialista desmoronar com o golpe militar que derrubou e assassinou Allende em 11 de setembro, promovido pelo General Augusto Pinochet.

Neruda faleceu em 23 de setembro deste mesmo ano, vítima de um ataque cardíaco.

A filha do ex-presidente, Isabel Allende, chegou a afirmar em um livro que o grande poeta morreu mesmo é de tristeza.

Em 1974, suas memórias foram publicadas no best-seller, Confesso que Vivi.

Vinte anos depois, Neruda tornou-se um dos personagens do livro e do filme O Carteiro e o Poeta, onde o mostra exilado na Itália nos anos 50, ensinando um humilde e ignorante carteiro, a força do amor e da poesia.

O trabalho de Neruda é bastante extenso.

Suas Obras Completas em 1951 consistia em 459 páginas, enquanto em 1962 possuía 1.925 páginas e em 1968, 3.227 divididas em três volumes.

Ele cantou o amor (Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde / amo-te diretamente sem problemas nem orgulho / amo-te assim porque não sei amar de outra maneira), a saudade (saudade é amar um passado que ainda não passou / É recusar um presente que nos machuca / É não ver o futuro que nos convida) e a vida (Viva hoje / arrisque hoje / faça hoje / não se deixe morrer lentamente).

E sempre escrevia usando caneta de tinta verde. Segundo ele, o verde é a cor da esperança.

As informações são do portal Terra

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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