De ditadura e concordata

Por Valdemar Menezes, no jornal O Povo

A identificação dos despojos mortais do estudante Bergson Gurjão, morto durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, fecha uma página dolorosa, vivenciada há mais de três décadas por familiares e amigos desse bravo jovem cearense. Quando acontecer seu enterro, os democratas do Ceará prometem dar-lhe uma recepção grandiosa que, ao menos simbolicamente, possa traduzir uma reparação mínima a tudo que sofreu, por ser envolvido de maneira tão trágica pelo turbilhão de violências que se desencadeou no Brasil a partir da demolição do Estado Democrático de Direito, pelos que o golpearam.

BICHO PAPÃO

Hoje, vê-se o quanto foi equivocada a posição dos que quiseram negar aos comunistas brasileiros o direito de disputarem livremente com outros partidos a preferência do eleitorado (como fazem hoje, e como sempre ocorreu nos países democráticos). O golpe militar de 64 empurrou-os ainda mais para a clandestinidade e, junto com eles, todos os que não se submeteram à ditadura. Como o que valia não era mais o voto, mas as armas, militantes comunistas, nacionalistas, socialistas e cristãos tiveram de pegar em armas para tentar derrubar a ditadura e reinstaurar o Estado Democrático de Direito e assim poderem defender seu projeto político, livremente, como fazem hoje. Bergson foi um dos heróis dessa resistência e deve ser tratado como tal.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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