Fidel: “Morre o golpe ou morrem as Constituições”

O líder revolucionário cubano Fidel Castro prevê, em artigo intitulado “Morre o golpe ou morrem as Constituições” divulgado este sábado, que se Manuel Zelaya retomar a presidência das Honduras a autoridade dos “governos civis” latino-americanos será abalada e regressarão os golpes militares.

“Se o Presidente Manuel Zelaya não for reinvestido nas suas funções”, escreve Fidel no site http://www.cubadebate.cu, “uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos na América Latina, ou eles estarão à mercê da extrema-direita militar, formada na doutrina de segurança da Escola das Américas, especialista em tortura, guerra psicológica e terror.”

Acrescenta Fidel:

“A autoridade civil de muitos governos na América do Sul e Central seria enfraquecida. Eles não estão muito longe desse tempo tenebroso. Os militares golpistas nem vão dar atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um Presidente que, como Barack Obama, pretende melhorar a imagem desse país. O Pentágono obedece formalmente ao poder civil. As legiões, como em Roma, ainda não assumiram o comando do império.”

Fidel Castro põe em causa a iniciativa de procurar o diálogo directo com o governo de facto de Roberto Micheletti, considerando tratar-se de uma “armadilha” e uma “humilhação” para o Presidente legítimo das Honduras.

“Que horrível é ver um Presidente [Oscar Árias, da Costa Rica, anfitrião do encontro] receber um usurpador e tratá-lo da mesma maneira que ao Presidente legítimo”, comentou Chávez.

“Zelaya sabe que não é apenas a Constituição das Honduras que está em jogo, mas o direito dos povos da América Latina a escolher os seus dirigentes”, comenta Fidel Castro.

“O presidente ilegalmente derrubado não procura o poder, mas defende um princípio e, como disse José Martí [líder da revolução independentista cubana], ‘um princípio justo no fundo de uma cova pode mais do que um exército'”, afirma.

Ele disse também que Zelaya foi pressionado para que negociasse um “humilhante perdão” pelas ilegalidades atribuídas a ele, e que esse país está “ocupado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos”.

Fidel diz que enquanto o presidente americano, Barack Obama, declarava que o único presidente constitucional de Honduras é Zelaya, “em Washington, a extrema direita e os falcões manobravam para que este negociasse o humilhante perdão”.

“Era óbvio que esse ato significaria perante os seus e perante o mundo seu desaparecimento do cenário político”, afirma.

“Não seria compreensível que Zelaya admita agora manobras dilatórias que desgastariam as consideráveis forças sociais que o apoiam”, comenta Fidel.

Ele afirma que “Honduras é hoje não só um país ocupado pelos golpistas, mas também um país ocupado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos”.

Segundo Fidel, a base militar de Soto Cano, a 100 quilômetros de Tegucigalpa, foi utilizada pelo coronel americano Oliver North “quando dirigiu a guerra suja contra a Nicarágua”, e Washington dirigiu dali “ataques contra os revolucionários salvadorenhos e guatemaltecos”.

“Ali se encontra a ‘Força de Tarefa Conjunta Bravo’ dos Estados Unidos, composta por elementos das três armas, que ocupa 85% da área da base”, acrescenta.

“Soto Cano é igualmente sede da Academia da Aviação de Honduras. Parte dos componentes da força de tarefa militar dos Estados Unidos é integrada por soldados hondurenhos. Qual é o objetivo da base militar, dos aviões, dos helicópteros e da força-tarefa dos EUA em Honduras?”, pergunta Fidel.

“Sem dúvida, serve unicamente para utilizá-la na América Central. A luta contra o narcotráfico não requer essas armas”, disse.

Fidel adverte que, se Zelaya não voltar a seu cargo, “uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos Governos da América Latina, ou estes ficarão à mercê dos militares de extrema direita, educados na doutrina de segurança da Escola das Américas”.

“A autoridade de muitos governos civis na América do Sul e Central ficaria debilitada. Não estão muito distantes aqueles tempos tenebrosos. Os militares golpistas nem sequer prestariam atenção à administração civil dos Estados Unidos. Pode ser muito negativo para um presidente que, como Barack Obama, quer melhorar a imagem desse país”, adverte Fidel.

Com agências

 

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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Uma resposta para Fidel: “Morre o golpe ou morrem as Constituições”

  1. Andre Bueno disse:

    Torço para o retorno de Zelaya ao poder. Seria, de fato, importante assegurar que não haja precedente na recente história latino-americana de golpe bem-sucedido contra governos eleitos. PORÉM, não se pode perder de vista o fato de que a proposta de plebiscito para decidir acerca da possibilidade de reeleição do presidente viola à Constituição de Honduras. Mais especificamente, ao artigo 374, que inclui o tema dentre aqueles que não podem ser alterados sob nenhuma hipótese. A Corte Suprema considerou a proposta inconstitucional; o Congresso manifestou a mesma posição; o chefe das Forças Armadas se recusou a implementar ordem que contrariava à Constituição e foi demitido, ocasionando o golpe. E assim vivemos, atualmente, divididos entre um presidente legítimo que pretendia desrespeitar a Constituição e o desejo de restabelecê-lo ao poder para evitar o “precedente” a que me referi antes.

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