Governo envia à Justiça documentos conhecidos sobre o Araguaia

O governo federal vai enviar segunda-feira à Justiça Federal um calhamaço preparado pelo Ministério da Defesa com 30 mil páginas de documentos sobre a Guerrilha do Araguaia.

O material não tem informações que possam levar à localização de novas ossadas de combatentes mortos pelo Exército.

A maior parte do material, cerca de 20 mil páginas, é composta por papéis do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) que estão no Arquivo Nacional.

Quase todos já haviam sido entregues às famílias pela Comissão de Mortos e Desaparecidos, ligada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

O governo vai sustentar a versão de que os outros documentos militares sobre o conflito foram destruídos, incluindo o acervo do Centro de Informações do Exército (CIE), que comandou o sufocamento da guerrilha.

Os papéis também incluem milhares de ofícios trocados entre o Ministério da Defesa e outros órgãos que investigaram o paradeiro dos corpos dos desaparecidos políticos.

Para justificar a falta de informações objetivas, o governo dirá que acabou de criar um grupo de trabalho para localizar ossadas na região.

A equipe fez suas primeiras buscas anteontem, a quatro dias do prazo final para responder à Justiça.

As escavações devem começar em agosto.

A juíza Solange Salgado, da 1 Vara Federal de Brasília, fixou multa de R$ 10 mil por dia de atraso na entrega de documentos que informem onde os desaparecidos foram sepultados.

O ministro da Defesa voltou a se manifestar contra qualquer mudança na interpretação da Lei da Anistia para punir integrantes da estrutura repressiva da ditadura militar.

“Não tem nenhum problema em relação à memória. Meu problema é que não sou partidário do revisionismo. Acho que não temos que rever o acordo de 1979, aprovado pelo Congresso”, disse Jobim, durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

O ministro também anunciou a criação de um grupo para supervisionar a operação de busca de ossadas de guerrilheiros e militares mortos durante a Guerrilha do Araguaia.

Além do próprio Jobim, farão parte do grupo o ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, o ex- ministro da Justiça José Gregori, entre outros.

Hoje cabe ao Exército a coordenação dos trabalhos de busca, o que é criticado por parentes dos desaparecidos.

Apesar de uma decisão judicial ter determinado em 2003 que caberia à União a localização das ossadas, Jobim defendeu que o Exército foi escolhido por “fornecer base logística” aos participantes do grupo, que inclui representantes de instituições do Pará e do Distrito Federal, técnicos e observadores independentes.

Escavação em busca de ossadas começará em agosto no Araguaia

Jobim afirmou ainda que a partir de agosto começam os trabalhos de escavação. As atividades do grupo estão na fase de reconhecimento das áreas e a partir de novembro, haverá um trabalho de laboratório para avaliar os resultados.

“Esses prazos são elásticos, principalmente os relativos aos trabalhos de campo. Por enquanto, a única coisa definida é a data de início dos trabalhos”, ressaltou Jobim.

Segundo ele, os militares se mostraram dispostos a contribuir com informações.

No entanto, o ministro considera mais adequado que os depoimentos se deem em juízo.

As informações são do portal O Globo

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
Esse post foi publicado em história, Política e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s