Voo 447: sindicato de pilotos franceses questiona autoridades civis

O Sindicato de Pilotos da Air France (SPAF) questionou as autoridades civis francesa e europeia pela não imposição da mudança das sondas Pitot nos Airbus A330 e A340, o que poderia ter evitado o acidente do voo AF447.

Em uma carta dirigida aos diretores da Direção Geral da Aviação Civil (DGAC) francesa e da Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA), o sindicato considera que era responsabilidade destes organismos impor à construtora Airbus as modificações necessárias, depois dos incidentes constatados em relação às sondas Pitot, responsáveis por medir a velocidade.

“Há muitos anos, as tripulações dos aviões A330 e A340 têm informado sobre casos de perdas ou de flutuações das indicações da velocidade de aviões em condições meteorológicas severas causadas pela presença de geada ou água nos tubos Pitot”, afirma a carta assinada pelo presidente do SPAF, Gerard Arnoux.

“Medidas apropriadas da DGAC e da EASA teriam permitido evitar a sequência de acontecimentos que levaram à perda de controle da aeronave, que terminou com sua queda entre Rio e Paris com 228 pessoas a bordo.

A carta do SPAF cita uma apresentação de uma diretora da EASA em uma conferência realizada em setembro de 2007, que mostra que ela estava informado sobre um “número significativo de fatos em exploração vinculados ao gelo ou a fortes chuvas”, com problemas de indicação de velocidade vinculados aos tubos Pitot.

A apresentação da diretora de certificação da EASA tinha justamente como tema “A certificação em questão — o congelamento das sondas”, destaca o SPAF.

O Bureau de Investigações e Análises (BEA), responsável pela investigação técnica sobre o acidente, considera que o mau funcionamento das sondas Pitot pode constituir um elemento de explicação, mas que no momento nada permite vincular o mesmo às causas do acidente, que permanecem indeterminadas.

Com agências

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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