Gay Talese diz que curiosidade está acima do diploma de jornalismo

Por Izabela Vasconcelos, de São Paulo, no portal Comunique-se

Em encontro no MASP na última terça-feira (07/07), Gay Talese afirmou que a curiosidade está em primeiro lugar entre as qualidades de um jornalista, acima do diploma. “Acho que o diploma não é essencial para o jornalismo. O essencial é a curiosidade”, disse o jornalista em debate moderado pelo editor executivo do jornal O Estado de S. Paulo, Ilan Kow.

A primeira matéria

Durante o encontro, Talese contou sua trajetória no jornalismo, sempre enfatizando a curiosidade como principal ponto para seu crescimento na carreira. O jornalista, que começou com 21 anos no The New York Times, como copy boy, algo parecido com office boy, como descreve Talese, despertou interesse pelo trabalho do homem responsável pela inserção das manchetes do noticiário, por meio de um jogo de luzes, em toda a Times Square.

Talese observou o homem e perguntou se poderia entrevistá-lo. “Mas você não é repórter, disse ele. Mas pretendo ser um repórter, respondi. Aí comecei a minha primeira matéria”, conta o jornalista, que pediu uma máquina de escrever emprestada de um repórter e entregou a reportagem para o editor. A matéria foi publicada, mas sem créditos.

A imprensa esportiva

O primeiro emprego de Talese no jornalismo foi na imprensa esportiva. “Eu gostava de esporte, mas não de escrever sobre quem ganhou, quem perdeu. Nenhum placar de jogo me interessava. As pessoas me interessavam, as histórias”, explica.

Entre alguns dos perfis mais conhecidos do esporte, escritos pelo jornalista, estão o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.

O jornalismo atual

“Os jornalistas de hoje têm um melhor vocabulário, uma melhor formação. Mas pecam em sua principal missão, de vigiar e criticar o poder”, diz Talese. Para ele, não existem mais excelentes repórteres como antigamente, tudo porque não há contestação como antes, apenas a reprodução de versões oficiais.

Sobre a crise econômica na imprensa, principalmente na norte-americana, o jornalista, que não é adepto das novas tecnologias, como a internet e o celular, é otimista. “A tecnologia não vai matar o jornal. O jornal deve oferecer o que as pessoas não podem encontrar na internet. O jornalismo honesto e bem escrito sempre terá espaço e será valorizado”, avalia.

O segredo do sucesso

Talese, conhecido como o pai do new journalism, destacou que sempre procurou um estilo próprio de texto. “Pensava que se eu escrevesse ficção seria apenas mais um autor de ficção, mas seu escrevesse algo que parecesse ficção, nesse estilo, mas com histórias e nomes reais, isso sim seria diferente”, relembra o autor de O Reino e o Poder, Fama e Anonimato, A Mulher do Próximo, Vida de Escritor, entre outros.

O jornalista, que escreveu o famoso “Frank Sinatra está gripado”, perfil do cantor norte-americano, também contou os bastidores de outras reportagens de sua carreira, lembranças da infância, suas impressões sobre o Festival Literário Internacional de Paraty (FLIP) e o livro que escreve sobre os seus 50 anos de casamento com a editora Nan Talese.

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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