Civis criticam operação do Exército para localizar ossadas no Araguaia

Um clima de desconfiança e ceticismo marcou o primeiro dia de atividades do grupo liderado pelo Exército que buscará ossadas de desaparecidos políticos na região da Guerrilha do Araguaia.

Peritos do Instituto Médico-Legal de Brasília e observadores civis reclamaram da falta de informações precisas sobre os locais que podem esconder restos mortais de combatentes.

O ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB-GO) disse que as escavações não podem começar sem que sejam ouvidos todos os militares que atuaram no conflito.

O grupo visitou quatro cemitérios de Marabá.

Apenas um deles funcionava durante o período da guerrilha, entre 1972 e 1975.

O comandante da missão, general Mário Lúcio Alves de Araújo, afirmou que ao menos um dos quatro cemitérios deve ser descartado da fase de escavações, em agosto.

“Conseguimos realizar tudo o que foi planejado para hoje (quarta). Todos os dias vamos avançar”, disse.

O médico legista Elvis Adriano da Silva Oliveira avisou que as escavações nesses locais só poderão ser iniciadas caso haja a indicação de locais específicos, o que ainda não foi feito pelos militares.

“Se só tivermos informações genéricas, o trabalho fica inviável. Sem indicações precisas, não há perito no mundo que consiga encontrar corpos”, afirmou.

No Cemitério da Saudade, os oficiais ouviram queixas semelhantes de outros três técnicos civis, entre peritos e geólogos da Universidade de Brasília.

Após o desabafo, o general Araújo determinou que os jornalistas ficassem afastados do grupo.

Ele disse que o objetivo da medida seria não constranger os integrantes da equipe e as pessoas ouvidas em cada local.

À noite, os civis pediram formalmente ao Exército que os militares envolvidos nas ações contra a guerrilha sejam ouvidos, entre eles Sebastião Curió, que comandou parte das operações no Araguaia.

Esta semana, a Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia localizou dois atestados de conduta que os moradores da região eram obrigados a portar para entrar ou sair de cada cidade. Um deles é de José Alves, da localidade de Palestina.

Acusado de cooperar com os guerrilheiros, ele foi detido e levado de helicóptero para um centro de torturas em Goiás e teria ficado com a saúde muito debilitada após sofrer agressões na unidade militar.

Na semana passada, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou que a Comissão de Anistia vai chamar Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, para depor sobre os combates.

A informação é do portal O Globo

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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