Araguaia: grupo desconhece o processo democrático, diz parente de vítima

O grupo criado para buscar os corpos de desaparecidos desconhece o processo democrático, passa por cima de uma lei federal que tem poderes legais para realizar esta operação, e desconhece também a participação da sociedade civil organizada e dos familiares.

A crítica a respeito do Grupo de Trabalho Tocantins — que inicia hoje, por Marabá, as ações de buscas por corpos de integrantes da Guerrilha do Araguaia — é feita por Diva Santana, irmã de Dinaelza Santana Coqueiro e cunhada de Vandick Coqueiro.

Dinaelza e Vandick, que foram executados durante as ações de combate à guerrilha em 1974.

Desde essa época Diva procura pelos restos mortais dos parentes desaparecidos.

Por conta dessa busca, ela se tornou vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia.

Diva Santana lembra que o Grupo de Trabalho Tocantins é o resultado do cumprimento de uma sentença judicial em ação movida há 23 anos pelos familiares dos desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia.

“Foi uma sentença prolatada pela juíza Solange Salgado em 2003, tendo a União recorrido em todas as instâncias judiciais e perdido”.

Diva afirma ainda que o Brasil está sendo julgado pela Corte Internacional pelos crimes cometidos na época, como assassinatos, ocultação de corpos e a não informação necessária, principalmente às famílias.

Segundo Diva Santana, o Grupo de Trabalho Tocantins é uma operação montada para mostrar que se tentou cumprir a sentença.

“Neste país tudo pode acontecer. Nós familiares, queremos nossos mortos, queremos a história e queremos justiça, afirmando que justiça não é revanche. Faço votos que o ministro da Defesa responda à decisão da sentença, de localização dos vestígios humanos, circunstâncias das mortes e abertura dos arquivos das Forças Armadas. Como está sendo feito, os resultados não irão atender a esses objetivos”, afirma.

Diva disse ainda que a anistia aos camponeses da região onde ocorreu a guerrilha, é uma ação justa de reconhecimento pelo Estado brasileiro a pessoas humildes.

“São camponeses que participaram de uma luta política. É a primeira vez nesta nação que isso ocorre, já que ocorreram tantas lutas em que o povo participou e que nunca foram reconhecidas”, afirmou.

A informação é Diário do Pará

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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