Araguaia: Ex-soldado que lutou contra a guerrilha diz que houve excessos

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Em 1974, Josian José Soares tinha 19 anos e havia entrado recentemente no Exército em Marabá.

Mal foi recrutado e foi enviado para Xambioá, em Goiás, para fazer segurança na base militar.

“Como a maioria, eu não tinha preparo nenhum para aquilo que havia lá dentro, ou seja, os terroristas. Nós tínhamos que fazer a vigilância e o acompanhamento desses guerrilheiros. Ficamos isolados e sem direito de voltar para a cidade”, lembra. 

Josian diz que em Marabá, à época, a população não sabia nada a respeito da guerrilha. “Os moradores viam aquilo meio como um espetáculo, com aviões lançando bombas na praia, com soldados fazendo treinamentos. Só depois que começou o conflito mesmo e que passaram a surgir helicópteros trazendo feridos para o hospital é que a população teve noção do que estava acontecendo”.

Josian conheceu — e ficou responsável pela vigilância de — dois guerrilheiros: Walkíria Afonso Costa e Daniel Ribeiro Calado. Walkíria, a Val, a última guerrilheira a ser morta pelas forças de repressão.

Segundo Josian, Val foi executada com três tiros no pescoço e enterrada atrás de um refeitório na base de Xambioá.

O soldado lembra que, no dia da execução de Val, o comando militar fez um almoço caprichado, algo raro na base.

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No final da tarde, todos os soldados foram liberados para ir até o povoado de Xambioá, com a recomendação de que não voltassem antes da meia-noite.

Apenas cinco pessoas ficaram na base militar: o cozinheiro, dois oficiais, um soldado chamado Cícero e o executor da guerrilheira.

“Quando voltamos, Cícero me disse que tinham executado a Val. Não acreditei, mas ele me mostrou o local”.

O ex-militar afirma que muitos camponeses foram alvos da violência militar durante a Guerrilha do Araguaia. “Tem gente que está em cadeiras de rodas até hoje. E mais, alguns soldados chegaram a estuprar filhas de camponeses”, acusa.

O outro guerrilheiro vigiado por Josian, Daniel Ribeiro Calado, o Doca, foi morto em 1974.

Segundo Josian, Daniel costumava discutir política com ele.

“Uma vez, eu perguntei a ele qual a razão de se meter naquela loucura de guerra. ‘Um dia você vai saber qual é a nossa luta’, ele respondeu.

Hoje posso dizer que entendo o que ele quis me dizer”.

A informação é do Diário do Pará

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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