Depois da crise, nada poderá ser como antes, diz Lula em Paris

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediram nesta terça-feira uma “mudança na governança mundial”, após se encontrarem, em Paris, para preparar a cúpula do Grupo dos Oito (G-8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que começará amanhã, na Itália. “Depois da crise, nada poderá ser como antes”, por isso “pedimos uma mudança da governança mundial” e “no crescimento mundial para que a mudança climática seja uma prioridade”, disse Sarkozy, em entrevista coletiva conjunta com Lula, que foi recebido no Palácio do Eliseu.

O presidente francês disse que vê a crise econômica global como “uma oportunidade” para a mudança mundial que, assim como Lula, considera necessária. Lula disse que os dois estão “convencidos de que é preciso trabalhar em conjunto sobre muitos assuntos que inquietam a humanidade” e pediu que “o sistema financeiro seja definitivamente vigiado, que os paraísos fiscais não existam mais e que a economia seja aberta e dinâmica”.

O presidente brasileiro solicitou também um “acompanhamento adequado das instituições” e ressaltou que “os que mais sofrem os efeitos da crise são os países mais pobres”. “Se a ONU tivesse uma representação legítima de nossa geografia, muitas coisas poderiam ser resolvidas com mais rapidez”, acrescentou Lula, que afirmou que ambos esperam “uma posição de mudança do mundo”, após a reunião que começa amanhã em L’Aquila.

A reunião do G-8 contará com a presença, como convidados, de cerca de 20 países e de organismos internacionais, entre eles o G5, formado pelas grandes economias emergentes (Brasil, China, Índia, África do Sul e México). Lula e Sarkozy trataram sobre assuntos bilaterais que dizem respeito aos dois países, entre os quais destacaram sua ambição de “desenvolver conjuntamente uma verdadeira aviação militar”, graças à transferência de tecnologia da França ao Brasil.

Abordaram também a cooperação científica e a possibilidade de abrir a base espacial da Guiana francesa a engenheiros brasileiros, investimentos conjuntos na África e o compromisso dos dois países de preservar a biodiversidade na Amazônia. Os dois líderes destacaram a “harmonia” das relações franco-brasileiras e fizeram referência à visita ao Brasil do presidente francês em setembro, durante a qual esperam fechar acordos na área de cooperação militar.

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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