Brasil continua forte no enfrentamento da crise, diz Meirelles

O Brasil não está criando vulnerabilidades ao enfrentar a crise financeira internacional, afirmou o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Em seminário realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, em Goiânia, transmitido ao vivo pela internet, Meirelles reforçou que as reservas internacionais, estimadas em US$ 208,7 bilhões, estão “fortes”.

Meirelles classificou de “responsável” a política monetária do BC (referente ao nível da taxa básica de juros, a Selic, e os recursos disponíveis na economia) e disse que ela está em linha com a política fiscal do Ministério da Fazenda (atuação do governo com relação à arrecadação de impostos e gastos), que reduziu tributos para estimular a atividade econômica.

Segundo o presidente do BC, a economia brasileira estará crescendo a taxas “mais fortes”, ao final deste ano, para que seja alcançada a projeção do BC de alta do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, de 0,8% em 2009. Ele lembrou que a projeção do BC diverge do mercado financeiro, que não espera por crescimento neste ano, mas retração de 0,50%. Há quatro semanas, a previsão de retração era maior: 0,71%.

Entretanto, segundo Meirelles, “às vezes, o mercado pode cometer erros de projeção”, mas “houve correções importantes nos últimos dias”. O presidente do BC afirmou ainda que a oferta de crédito, afetada pela crise, está gradualmente voltando ao normal no Brasil e o investimento estrangeiro no setor produtivo está crescendo.

China

Na palestra, Meirelles também relatou que, a partir de 2003, o BC “aplicou uma política de desinflação rápida da economia brasileira”. Além disso, em 2008, o Brasil foi um dos poucos países do mundo que tiveram inflação dentro da meta estipulada, de acordo com ele. Meirelles admitiu que a taxa de juros real – que, descontada a inflação prevista para os próximos 12 mesesm, está em 4,9% e, portanto, abaixo do patamar de 5% defendido por economistas – “ainda é um pouco elevada” na comparação com outros países.  

“Mas o importante é a trajetória cadente dos últimos anos”, disse. Ele destacou que outros países entraram na crise muito dependentes da demanda externa, ou seja, das exportações, diferentemente do Brasil. Ele afirmou que o País “entrou nesta crise com uma demanda doméstica crescendo fortemente”.

O presidente do BC concluiu que o crescimento da China poderá sustentar a demanda por commodities porque aquele país está fazendo investimentos em infraestrutura e na criação de emprego doméstico. Além disso, segundo Meirelles, a demanda por alimentos e óleo para biodiesel impulsiona o comércio global de soja. E o aumento da renda per capita em países populosos e de rápido crescimento impulsiona o comércio global de carnes.

A informação é da Agência Brasil

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Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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