A “crise” no Senado, o PT e Eliane Catanhêde

Por Marcos Verlaine*

Três fatos me animaram para escrever este texto. O primeiro foi ler o artigo ‘Fim do Senado’, da jornalista Eliane Catanhêde na Folha de S.Paulo de sexta-feira (3).

O segundo foi a equivocada decisão dos senadores do PT de pedir o afastamento de Sarney da presidência do Senado por 30 dias. No mínimo ingênua essa ‘decisão’.

O terceiro foi o enquadramento desses mesmos senadores por Lula, que os fez ‘revisar’ a ‘decisão’.

Foi patético ler depois as explicações de Mercadante e seus pares.

Vamos ao artigo.

Começo pelo terceiro fato.

Será que esses senadores petistas não percebem que está em curso, por trás da ‘crise’ no Senado, mais uma luta política cujo pano de fundo é a disputa de 2010, mais especificamente a Presidência da República?

É impressionante como essa turma se deixa enredar pelo artificialismo da mídia, que quer ver o “circo pegar fogo” para comer peixe assado, como diz o ditado popular.

Os interesses inconfessos da mídia, porta voz dos interesses da oposição e, por conseguinte, dos interesses do capital, encobrem seus verdadeiros objetivos com essa cobertura que estimula a crise.

Observem que toda cobertura se baseia em especulações e sensacionalismos. Não procuram explicar ao leitor, ouvinte ou internauta as razões da crise, suas origens ou soluções para os problemas.

Foi assim com o chamado “mensalão”. Foi assim com Renan Calheiros. Como o interesse não é corrigir, moralizar, depois volta tudo ao “normal”.

Vejam o caso da “farra” das passagens aéreas. Nada mudou, pelo contrário, agora, para eles, tudo é permitido.

Lula aprendeu

Depois de administrar à distância e ver os petistas se enredarem em várias crises ao longo desses quase sete anos de mandato, Lula desta vez interveio e colocou ordem na casa.

Não podia ser diferente. Foi triste ver os senadores do PT, liderados por Mercadante (SP), deixarem se envolver, novamente, pelo artificialismo que envolve a ‘crise’ do Senado. Pedir a ‘cabeça’ de Sarney então foi a gota d’água.

Se Sarney caísse, aí sim estaria aberta uma crise. Essa sim, de proporções inimagináveis para o Governo e a sucessão. Era isto que a oposição queria e a mídia está a estimular. A retórica da ética é para envolver os incautos.

O Governo Lula está em disputa. A burguesia ainda não assimilou as duas derrotas e o novo curso que o País ingressou desde então.

O Governo Lula é um condomínio. É preciso entendê-lo, do contrário, faremos o jogo do inimigo, que nada quer corrigir, apenas fomentar crise de modo a comprometer o Governo e, claro, impingir-lhe a derrota de sua candidata ou candidato em 2010.

Será que é tão complicado enxergar e entender este fato?!

A mídia e a cobertura da ‘crise’

Desacorçoada, a mídia, com intento de comprometer o Governo, inventa, mente e se desdobra para criar crises. A cobertura é patética, moralista e absolutamente despolitizadora. Editorializada.

É “torpe”, como diz meu camarada Osvaldo Bertolino, editor do blog O outro lado da notícia.

No caso da ‘crise’ do Senado então beira o ridículo, pois quem procurar entender as origens da crise enxergará imediatamente que não é uma crise política e muito menos têm as proporções que nos querem fazer crer.

Os tais ‘atos secretos’ não comprometem o Senado e seu funcionamento, haja vista que existem há mais de uma década.

É produto do patrimonialismo e da baixa política, aquela que a mídia estimula ao criticar o financiamento público de campanha, o voto em lista, a fidelidade partidária e tantas outras iniciativas que poderiam dar ares de modernidade a prática política no País.

A melhor expressão disso foi o artigo ‘Fim do Senado’, da jornalista Eliane Catanhêde na Folha de S.Paulo de sexta-feira (3).

É no mínimo ingênuo. Mas, claro, de ingênua a jornalista não tem nada. O artigo encarna os objetivos da mídia – comprometer, desmoralizar, criar crise, e tentar “sangrar” o Governo.

Nada explica, apenas reclama, pois “Se a renúncia (…) parecia iminente, agora parece improvável”. Que pena, Lula aprendeu e entrou pra valer no jogo! Agora não é mais possível tentar contar com a ‘imparcialidade’ do presidente.

Lula aprendeu!

A jornalista em seu artigo faz constatações óbvias e ainda tenta criar cizânias.

É claro que o movimento de Lula é para tentar garantir que o PMDB continue na aliança vitoriosa de 2002 e 2006. É claro que ao intervir quer evitar mais desgastes que comprometam essa tática e, portanto, o projeto de eleger a candidata Dilma Rousseff.

Que, aliás, a mídia, o PSDB, o DEM e todos que querem derrotar o Governo também querem – o PMDB na aliança conservadora pra derrotar Lula, Dilma e o Governo.

A jornalista lembra os petistas que caíram em desgraça no caso do “mensalão” e atribui ao “fato” de Lula não “defendê-los”, como agora faz com Sarney. Ela recorre a isso para tentar estimular disputas e ciúmes e não para defender aqueles contra esse. Parece coisa de criança.

Eliane, esta nova disputa, cuja arena é o Senado, o ponto fraco do Governo, faz parte da “guerra política” que cita no artigo. Até sua “ingenuidade” faz parte desta disputa.

Sua constatação óbvia demonstra isto: “O dramático é que, se Sarney sai, a crise fica. E se Sarney fica, a crise continua”.

É claro, o objetivo não é o Sarney e muito menos moralizar a Casa, mas acossar o Governo e o projeto de 2010.

*Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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