Sobre futebol, religião e política

South Africa USA Brazil Confed Cup Soccer

Penso que religião é uma questão de foro íntimo, que não deve ser discutida em público e muito menos pregada em praça pública.

Cada qual tem a sua filosofia de vida e não cabe a ninguém discutir qual está certa e qual está errada.

O conhecimento filosófico, científico e cultural sim, creio, deve ser difundido ao máximo.

E nem sempre os religiosos sectários aceitam essa idéia.

São religiosos da Idade Média, que insistem em viver nas trevas.

Felizmente as religiões avançam e poucas são as que mantêm posturas obscurantistas.

Isso posto, quero dizer que a polêmica sobre a comemoração dos jogadores da seleção brasileira  pelo título da Copa das Confederações, na África do Sul, após a vitória sobre os Estados Unidos, é justíssima.

A queixa de que a seleção usou o futebol como palco para a religião é corretíssima.

A Fifa confirmou que mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos.

Ao final do jogo contra os EUA, os jogadores da seleção brasileira fizeram uma roda no centro do campo e rezaram.

A Associação Dinamarquesa de Futebol é uma das que não estão satisfeitas com a Fifa e quer posição mais firme.

Pede punições para evitar que isso volte a ocorrer.

Com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da Fifa abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes da Europa.

Tanto a Fifa quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo. Mas, por enquanto, a Fifa não ousa punir o Brasil.

“A religião não tem lugar no futebol”, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa.

Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi “exagerada”.

“Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora”, disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca.

A entidade confirmou que espera que a Fifa tome “providências” e que busca apoio de outras associações.

As regras da Fifa de fato impedem mensagens políticas ou religiosas em campo.

A entidade prevê punições em casos de descumprimento.

Por enquanto, a Fifa não tomou nenhuma decisão e insiste que a manifestação religiosa apenas ocorreu após a partida.

Essa não é a primeira vez que o tema causa polêmica.

Ao fim da Copa do Mundo de 2002, a comemoração do pentacampeonato brasileiro foi repleta de mensagens religiosas.

A Fifa mostrou seu desagrado na época.

Mas disse que não teria como impedir a equipe que acabara de se sagrar campeã do mundo de comemorar à sua maneira.

A entidade diz que está “monitorando” a situação.

E confirma que “alertou a CBF sobre os procedimentos relevantes sobre o assunto”.

A Fifa alega que, no caso da final da Copa das Confederações, o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final. E as leis apenas falam da situação em jogo.

Da mesma forma, penso que misturar futebol com pátria não faz o menor sentido.

Esse negócio de executar o hino nacional nos estádios antes dos jogos do Campeonato Brasileiro para mim é um absurdo.

Futebol é diversão, cultura e lazer.

A “pátria de chuteiras” não tem fundamento quando o futebol é analisado como esporte e toda a sua fundamentação na fraternidade entre os povos.

Com informações da Agência Estado

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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Uma resposta para Sobre futebol, religião e política

  1. A ciência que também tem suas crenças linhas e contradições não se mostrou absoluta e como dizem os psicanalistas, filósofos e sociólogos não deu conta do recado. Continuamos a não ter respostas para tudo, mas crendo nos que parece a cada um o certo.
    Quando assisti ao filme The Coporation, que recomendo, vi a afirmação de uma ex grande executivo e me solidarizei com ela:
    – A religião que mais deu certo no mundo não é o budismo, cristianismo, catolicismo, islamismo, e outros ismos, é o capitalismo, e este não tem código de ética pois o seu objetivo é o lucro e ponto. Vale tudo para a meta desta religião.
    A igreja dos capitalismo é o shopping e os pastores estão na televisão divulgando a sua doutrina.
    Ora, o que é a copa do mundo senão um atitude capitalista, por mais que eu goste e me envolva não tenho como negar.
    As expressões individuais de cada um devem ser preservadas e podem ser divulgadas ou será que para fazer algo que lembre união, ética seria preciso pagar? Se qualquer religião pagasse um patrocínio para a seleção ela poderia aparecer?
    Aí, não seria condenada por nenhuma confederação ou nenhum país, ou seria?
    A UNICEF colocou sua marca nos jogadores, foi falta de ética? Ou a UNICEF está acima do bem e do mal, é santificada?

    Lembrei agora, o Egito quando ganhou, vários jogadores revereciaram Alá.
    Não no Brasil, mas em outros países como a Itália a política é ligada a clubes de futebol, e aí, vamos tirar a Itália da copa da FIFA?
    Meu intuito não é defender nenhuma religião, mas entendo que, como propõe a ciência, o ser humano é total e não dividido por gavetas, e quando celebra o faz de modo total reverenciando os valores nos quais acredita.
    O balde foi chutado…rs
    Abs

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