Norte-coreanos alertam para escalada nuclear

A República Popular Democrática da Coréia (RPDC) reafirma o caráter defensivo e dissuasor das suas armas nucleares e denuncia os EUA por provocarem o conflito na região em vez de promoverem o diálogo em torno de desnuclearização da península.

“Não pretendemos nem queremos obter de ninguém o estatuto da potência nuclear. O poder de dissuasão nuclear é para enfrentar a ameaça dos EUA e é um direito soberano para salvaguardar nosso regime e o povo», escrevia-se, domingo (28) no Rodong Sinmun.

O órgão central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e a agência de notícias KCNA têm sido os canais usados pelo governo da RPDC para divulgar as respostas necessárias às ameaças crescentes dos EUA, Coreia do Sul e Japão contra o território.

Réplicas que raramente ecoam nos meios de comunicação dominantes, claramente instrumentalizados por Washington para isolar a RPDC e passar uma imagem distorcida e diabolizada do país.

Desde o agravamento das sanções contra a RPDC, adotado pelo Conselho de Segurança da ONU, dia 12 de junho, que assim tem sido.

Poucos têm dado voz à RPDC, que afirma repetidamente que as armas de que dispõe não servirão para ameaçar qualquer outra nação, e denuncia, uma e outra vez, as movimentações militares e diplomáticas norte-americanas, considerando que estas não só não contribuem para aliviar a tensão nuclear na península, como, pelo contrário, têm como objetivo criar um clima de crispação e aparente ameaça, justificando um “ataque preventivo”.

A internacionalização do conflito é outro dos fatores contestados por Pyongyang.

As sanções das Nações Unidas prevêem que qualquer dos seus membros intercepte e inspecione barcos norte-coreanos suspeitos de transportar material ou tecnologia passível de ser usada no programa nuclear.

Como qualquer país soberano em situação semelhante, a RPDC já avisou que entenderá a concretização de iniciativas deste gênero como um ato hostil, posição que a China também defende alertando a “comunidade internacional” que a inspeção das embarcações deve ser feita observando a legislação interna [da RPDC] e internacional relevante, e submetendo-se, igualmente à existência de “provas abundantes e motivos apropriados”.

Ainda a semana passada, o Rodong Sinmun notava que a Casa Branca tem intensificado os exercícios militares numa região onde mantém estacionados mais de 85 mil militares, e que, recentemente, o Pentágono ordenou a submarinos nucleares carregados com ogivas que cumprissem missões no Pacífico.

Simultaneamente, o porta-aviões George Washington foi enviado para junto do território.

Ainda de acordo com informações veiculadas pela agência de notícias norte-coreana, citada pela Prensa Latina, Pyongyang avisou que vai abater qualquer avião espião que sobrevoar o seu território.

Este aviso surge na sequência da detecção de vários voos espiões nos últimos dias de junho e primeiros de julho.

O exército norte-coreano sabe que as aeronaves fabricadas pela Boeing partiram do Japão.

O Rondog Sinmun lembra também que Washington deslocou para o Hawai o sistema de defesa antimíssil e a rede de radares que o acompanha, indicações claras, diz o jornal citando fontes oficiais norte-coreanas, de que os EUA colocam a hipótese de um ataque recorrendo a armas nucleares.

A campanha tem como sustentação a alegada ameaça norte-coreana à ilha norte-americana no Pacífico.

Nem Barack Obama se coibiu de agitar o fantasma de um pretenso ataque da RPDC no próximo dia 4 de julho, criando, pela instigação do medo, um inimigo da nação americana, isto depois de renovar por um ano as sanções econômicas contra a RPDC.

Dados importantes são ainda os que resultam das relações entre Washington, Tóquio e Seul.

A China e a Rússia, apesar de aprovarem o texto do CS da ONU contra a RPDC, proferiram uma declaração conjunta na qual defendem o imediato regresso ao diálogo a seis (RPDC, Coreia do Sul, China, EUA, Japão e Rússia) como único caminho para a resolução do conflito.

Em Tóquio, os chefes dos governos japonês e sul-coreano, Taro Aso e Lee Myung-bak, reuniram-se com o propósito de coordenarem posições quanto às sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas à República Popular Democrática da Coreia, fazendo ouvidos moucos ao apelo de Moscou e Pequim.

Antes, os presidentes sul-coreano, Lee Myung-bak, e norte-americano, Barack Obama, adotaram uma posição comum contra Pyongyang.

A Coreia do Sul pediu aos EUA “proteção” nuclear contra a RPDC e Obama acedeu, incluindo no documento “Visão Comum” um parágrafo que prevê a entrega de armas nucleares a Seul em caso de “emergência”.

A decisão não tem precedentes e animou os secores mais revanchistas, mais reacionários e belicistas da Coreia do Sul.

No dia 26 de junho, o ministro de Defesa daquele país, Lee Sang-Hee, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Kim Tae-young, puseram em marcha uma emenda ao “Plano Básico de Reforma de Defesa Nacional”.

A medida prevê a compra de mais equipamento militar e permite um ataque “preventivo” contra o vizinho do Norte.

Um dos casos sobre o qual muito se tem escrito e dito envolvendo a RPDC é o das “jornalistas” presas em março deste ano e condenadas, a 8 de junho, a 12 anos de trabalhos forçados por introdução ilegal no país e ações hostis contra a nação coreana.

Sobre o tema, o Diário do Povo, jornal do Partido Comunista da China, citado pelo vermelho.org, sustenta, na sua edição de quinta-feira da semana passada, que as duas norte-americanas capturadas, podem, na verdade, ser agentes da CIA.

Euna Lee e Laura Ling entraram ilegalmente no país pelo rio Tumen carregando 9.500 dólares, dizem as autoridades da RPDC.

Só foram detidas depois de repetidos avisos, acrescentam.

As enviadas da Current TV, propriedade de Al Gore, admitiram, durante o interrogatório, que as suas atividades tinham fins políticos.

É sintomático que não tenha sido divulgado que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, enviou a Pyongyang um pedido de desculpas pela entrada ilegal de Lee e Ling.

Sintomático, ainda, o fato dos EUA não contestarem os motivos políticos que moviam as “jornalistas” no apelo para a sua libertação.

As informações são do jornal Avante!

 

Sobre Osvaldo Bertolino

Jornalista, natural de Maringá — Noroeste do Paraná.
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