
Não é só a Inglaterra que envia lixo para algum lugar pobre do planeta, como se o Brasil fosse uma lixeira.
Ocorre também em Maringá.
A Cidade Canção e Sarandi são ubilicalmente ligadas.
Só uma linha imaginária separa as duas cidades.
Uma é rica e a outra é pobre.
Mas uma não vive sem a outra.
Quem vive em Sarandi em geral depende de Maringá para trabalhar, para o lazer e para fazer compras.
E quem vive em Maringá depende da população de Sarandi, importante esteio da economia da cidade.
Pois bem.
Nessa relação, alguém achou que Sarandi não passava de lixo, literalmente.
Ocorre que a empresa privada que opera o serviço de coleta de Maringá achou que Sarandi era um bom lugar para jogar dejetos e engordar a sua conta bancária.
Um acordo entre a prefeitura de Maringá e a Central Regional de Tratamento de Resíduos, a Pajoan — a empresa privada que opera a coleta —, estabeleceu que além das cerca de 40 toneladas de lixo por dia de Sarandi o local passaria a receber 300 toneladas de Maringá.
Moradores sarandienses foram às ruas da cidade e protestaram, exigindo uma atitude da prefeitura.
A União Sarandiense dos Estudantes Secundaristas (USES) ameaçou lotar o plenário da Câmara para exigir providências.
Foi quando o prefeito de Sarandi, Milton Martini (PP), se manifestou.
“O Município de Sarandi está empenhado em solucionar o problema da destinação do lixo produzido no próprio município e de maneira nenhuma fará acordo para receber lixo que não é nosso”, disse.
Para que o aterro de 14 alqueires (que pertence a Pajoan e se localiza em território sarandiense) recebesse o lixo, seria necessário ampliar o espaço, o que, segundo a empreiteira, já estaria sendo feito.
Mesmo com tantos planos por parte da Pajoan, Martini reiterou que não existe nenhum acordo entre a administração municipal com a empreiteira ou com a prefeitura de Maringá para que o lixo produzido da Cidade Canção fosse depositado em Sarandi.
O uso do aterro que seria feito em caráter emergencial foi cancelado.
O secretário de Comunicação da prefeitura de Maringá, Diniz Neto, disse que a população não será contrariada.
“O objetivo de Maringá é tratar o lixo”, afirmou.
Ele admitiu que a prefeitura da Cidade Canção não suportou as fortes pressões feitas pela população sarandiense.
Depois do fracasso, a prefeitura de Maringá terá de encontrar outra solução, já que a autorização de funcionamento do aterro utilizado até agora tem validade somente até outubro de 2009.
Nessa brincadeira, sobrou mais cobrança para Maringá.
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente quer que a prefeitura de Maringá cumpra a sentença sobre a utilização do aterro controlado do município.
A sentença, de 2005, determina que a prefeitura pare de jogar lixo no aterro, recupere a área, promova um programa de gestão dos resíduos sólidos e procure outro lugar, devidamente licenciado, para depositar o lixo.
O uso do aterro está autorizado por uma liminar.
“Para funcionar, um aterro tem de ter licença ambiental”, diz o promotor do Meio Ambiente, Manoel Ilecir Heckert.
O aterro controlado de Maringá, localizado na Gleba Ribeirão Pinguim, não possui essa licença, que é emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
“A prefeitura pode jogar o lixo onde quiser, desde que o local tenha licença ambiental”, disse
A prefeitura vai licitar, por um período de seis meses, uma empresa que deposite o lixo urbano.
Enquanto isso, prevê licitar a empresa que faça o tratamento do lixo.
O sistema de tratamento foi testado por uma empresa de tecnologia alemã, com resultado eficaz.
De Maringá, Cláudio Bertolino, com informações de O Diário