
O avanço da democracia progressista na América Latina vem despertando um tipo de reação que sempre foi muito forte na região — a da ala direitista da Igreja Católica.
Na Venezuela, na Bolívia, na Nicarágua e em Honduras os adeptos da bíblia de Harry Kissinger e George W. Bush pregam fervorosamente contra a democracia popular.
Eles não hesitam em desembainhar suas espadas medievais para servir de retaguarda aos tiros disparados pela direita fascista na construção da sua “democracia”.
Essa legião “cristã” e suas cruzadas estão participando ativamente dos acontecimentos em Honduras.
A poderosa Igreja Católica local apoiou o golpe fascista e jogou seu peso na retaguarda ao governo golpista.
O cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que pode fazer de uma pequena lista de possíveis candidatos a papa, justificou o golpe.
“Ele (o presidente Manuel Zelaya) não tem nenhuma autoridade, moral ou legal”, disse o cardeal ao jornal espanhol El Mundo.
“Ele perdeu a autoridade legal porque violou leis e a autoridade moral ele perdeu com um discurso recheado de mentiras. A coisa mais patriótica que ele poderia fazer seria manter-se afastado. Qualquer outra coisa é simplesmente tentar impor o projeto de Hugo Chávez a qualquer custo”, disse o prelado.
Ninguém de sã moral e equilíbrio mental se regozija com a desgraça alheia, rejubila com o sofrimento ou exulta com a morte.
Só os clérigos direitistas são capazes de dizer, perante o sofrimento e a desolação:
“Fez-se a vontade de Deus.”
Como ouvi certa vez, apontam um dedo para o outro mas, sem o saber, apontam três dedos para si mesmo.
Com agências