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Pochmann: Recessão destrói os melhores empregos

14/07/2009 · Deixe um comentário

É consenso entre os economistas que o crescimento da indústria tem função dinamizadora, puxando o setor de serviços e a inovação. No entanto, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, afirma que as décadas de neoliberalismo deixaram a indústria brasileira muito vulnerável a crises como a que o mundo está vivendo.

“Com a abertura comercial, um terço do investimento produtivo no Brasil provém de multinacionais. Já a abertura financeira nos deixou dependentes de crédito externo e não reduziu o grau de concentração bancária, muito pelo contrário”, disse Pochmann, em debate na TV Senado.

Ele defende o incentivo a cooperativas de crédito e outras alternativas para oferecer financiamento à pequena empresa. A indústria responde por 30% dos empregos no país, enquanto o setor de serviços responde por 60%, mas, segundo o presidente do Ipea, os postos de trabalho na indústria são de muito mais qualidade e têm efeito multiplicador na dinâmica da economia.

EUA

“No Brasil é fácil demitir. E a crise é da indústria, pois o agronegócio e o setor de serviços apresentaram variação positiva, após outubro do ano passado. Significa que a crise pegou os melhores empregos, daí a taxa de rotatividade da mão-de-obra ter crescido 30% sobre 2007″, disse, acrescentando que nos EUA, país de legislação trabalhista flexível, a taxa de rotatividade é metade da brasileira.

Pochmann lamentou também que a crise tenha interrompido dois anos de crescimento da participação dos salários no PIB. “Defendo que o país diminua o grau de abertura financeira, dependa menos do comércio com os ricos (que já foi de 70% e agora está em 40%) e promova um processo de desconcentração bancária”, finalizou.

A informação é do Monitor Mercantil

 

Categorias: Crise financeira · sindicalismo · trabalhadores
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