
Com início previsto para a próxima terça-feira (2), a CPI da Petrobras teve a composição anunciada na quarta-feira (27).
Iram Alfaia informa no Portal Vermelho que a direita fez uma manobra para comandar a CPI das ONGs.
O presidente da CPI, Heráclito Fortes (DEM-PI) comandou a jogada para que o tucano Artur Virgílio assumisse o cargo de relator prometendo investigar os mesmos fatos a serem analisados pela CPI da Petrobras.
Por ofício e sem reunir o colegiado, segundo Iram Alfaia, Heráclito Fortes aproveitou a indicação de Inácio Arruda pelo bloco dos partidos governistas (PT, PSB, PCdoB, PR e PRB) como titular da CPI da Petrobras para tirá-lo do cargo de relator.
“Ocorre que o senador comunista não saiu da CPI das ONGs, permaneceu como suplente. Porém, com base no regimento, Héraclito argumenta que suplente não pode assumir cargo de relator”, informa o jornalista.
Diante da manobra, o bloco reconduziu Inácio para a condição de titular na CPI das ONGs e suplente na Petrobras, mesmo assim os senadores da oposição usaram como tática ignora essa situação.
Inácio Arruda classificou a manobra de brincadeira e sem pertinência pelo grau de seriedade com que vinha conduzido os trabalhos na relatoria. Segundo ele, centenas de pessoas já estavam convocadas e mais de 200 requerimentos examinados na CPI.
“Eu não assisti até hoje a nenhum relator no Senado ser destituído por nenhuma presidência de comissão. Nenhum. Então, ou é uma ansiedade ou uma brincadeira, de outro modo não poderá ser entendido”, disse o senador.
Inácio diz que a única situação que tomou conhecimento foi a que aconteceu recentemente no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados quando o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) foi destituído da relatoria do caso do deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), o dono do castelo avaliado em R$ 25 milhões.
“Mas isso foi diante de uma atitude inusitada cometida pelo relator, que suscitou uma interpelação de toda a comissão”, disse o senador.
A presença de Inácio tem significado estratégico, pois o PCdoB comanda a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Completam a CPI, entre os titulares governistas, Ideli Salvatti (PT-SC), João Pedro (PT-AM), Paulo Duque (PMDB-RJ), Leomar Quintanilha (PMDB-TO), Romero Jucá (PMDB-RR), Fernando Collor (PTB-AL) e Jefferson Praia (PDT-AM).
Na oposição, os titulares são Sérgio Guerra (PSDB-PE), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Carlos Junior (DEM-BA).
Inácio, ao lado de Ideli Salvatti e João Pedro, está cotado para a presidência da comissão.
Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado e favorito para a relatoria da comissão, confirmou ontem que está disposto a assumir a função.
Ele disse ser compatível conciliar a relatoria da comissão com a liderança no governo, uma vez que o seu objetivo é fortalecer a imagem da Petrobras sem agir como um “rolo compressor” sobre a oposição.
“Eu sempre sou imparcial”, disse.
Jucá afirmou que a relatoria da comissão ficará com o PMDB, e a presidência da CPI, com um partido da base governista.
Na véspera da instalação da CPI, o clima de confronto aberto vai se acirrando.
A direita anunciou que entrará em “obstrução seletiva” — ou seja, quer que a pauta do Senado seja invertida e que só sejam votados projetos objeto de negociação, como as medidas provisórias que tratam do salário mínimo, da distribuição de merenda escolar e a proposta de criação do Fundo Soberano.
Nas demais matérias, os senadores de direita tentarão evitar que haja quorum para votação.
Já entre os governistas, João Pedro, também cotado para assumir a presidência da CPI, defendeu que as investigações remontem ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995-2002.
“Acho que temos que ir no passado. Temos que investigar os gestores do governo Fernando Henrique, o acidente da plataforma P-36 e outros acidentes gravíssimos que aconteceram no governo anterior” disse o senador petista.
Com informações do Portal Vermelho, do jornal O Povo e do Globo Online