
Os dois lados da Coréia formam uma só nação.
O país era dominado pelo Japão até a Segunda Guerra Mundial.
Em 1945, com a guerra já resolvida na Europa mas ainda presente na Ásia, os aliados reafirmaram, na Conferência de Potsdam, posição já anteriormente definida de garantir o direito da Coréia à independência.
Cumprindo os compromissos, em 8 de agosto de 1945 a União Soviética declarou guerra ao Japão — aliado da Alemanha nazista e da Itália Fascista, formando o “Eixo Nazi-Fascista”.
No dia 12, tropas soviéticas entraram no país ocupado pelo Norte, apoiando as forças guerrilheiras que lutavam contra o governo pró-Japão.
Em 8 de setembro, chegaram as tropas norte-americanas, pelo Sul do país.
A essa altura, os governos ocidentais estavam preocupados com o surgimento das democracias populares nos países libertados da operação nazista com o apoio do Exército Vermelho.
Trataram de ocupar posições e forçaram a divisão da Coréia, tendo como fronteira a linha imaginária do paralelo 38.
Os norte-americanos e seus aliados tentaram impor seu antigo aliado Syngman Rhee, um fascista declarado, como presidente da República.
A União Soviética não aceitou e exigiu que o próprio povo coreano tivesse o direito de deliberar sobre seu destino.
Para isso, as tropas estrangeiras deveriam se retirar do país.
Criado o impasse, a então recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) foi acionada.
Mas os Estados Unidos e seus aliados vetaram a presença da China — que havia feito uma revolução socialista em 1949 — no Conselho de Segurança e a União Soviética recusou-se a participar das discussões naquela organização — onde seria fatalmente esmagada.
Enquanto isso, no Norte os coreanos reconstruíam o país e no Sul Rhee era imposto presidente pelos Estados Unidos.
Ele instaurou um regime autoritário e policial — em 1949, o país já contava com 89.770 presos políticos.
Em abril de 1948, representantes de 50 partidos e organizações populares dos dois lados convocaram eleições gerais, marcadas para 25 de agosto.
O governo Rhee proibiu as eleições no Sul.
Ele sabia que seria derrotado — em 1946, 40 milhões de trabalhadores realizaram uma greve contra seu governo fascista, que chegou à insurreição armada.
Para reprimir os trabalhadores, Rhee convocou soldados dos Estados Unidos, que mataram 300 pessoas e prenderam 25 mil.
Mas, apesar da repressão, 75% dos coreanos do Sul participaram das eleições — realizadas clandestinamente.
No Norte, votaram 98%.
Mas Rhee não cedeu.
Pediu mais apoio aos Estados Unidos, que chamaram a ONU para realizar uma “eleição” no Sul.
Os emissários da ONU foram recebidos com protesto.
Mas realizaram as “eleições” no dia 1º de maio e Rhee “ganhou”.
Houve 70% de abstenção.
Em dezembro de 1948, cumprindo os acordos previamente estabelecidos, a União Soviética retirou o Exército Vermelho do Norte e o poder ficou nas mãos do Partido do Trabalho da Coréia.
Um abaixo-assinado agradecendo o Exército Vermelho percorreu o país e recolheu 17 milhões de assinaturas.
Mas o exército norte-americano, descumprindo os acordos estabelecidos, permaneceu no Sul.
O general Mac Arthur, chefe das forças armadas norte-americanas na Ásia, disse que não aceitaria o poder democraticamente estabelecido no Norte.
A ONU, que virou biombo dos Estados Unidos e seus aliados, foi acionada.
Em março de 1951, o líder soviético Josef Stálin deu uma entrevista afirmando:
“A ONU, fundada como baluarte da manutenção da paz, está se convertendo em um instrumento de guerra, em um meio para o desencadeamento de uma nova guerra mundial.”
Stálin denunciou que a ONU era comandada por um condomínio reunido na agressiva Organização do Atlântico Norte, a Otan (Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega e Islândia).
“Em essência, a ONU é, agora, menos uma organização mundial do que uma organização para os norte-americanos, que atua segundo as exigências dos agressores”, disse.
No dia 25 de junho de 1950 o Sul atacou o Norte.
Rhee garantiu que em três dias poderia capturar a capital do Norte, Pyongyang.
Para justificar a guerra, o secretário de defesa norte-americano afirmou que “a segurança dos Estados Unidos depende da sua posição no Extremo Oriente”.
A guerra da Coréia terminou no dia 27 de julho de 1953, com a fronteira mantida no paralelo 38.
O Sul permaneceu ocupado por tropas norte-americanas, que estão lá até hoje.
Desde então, o regime de Seul se fechou para o Norte e se abriu completamente para os Estados Unidos.
Coréia do Sul e Japão — também ocupado pelas tropas do general Mac Arthur após o térimino da Segunda Guerra Mundial — transformaram-se em bases militares anticomunistas dos Estados Unidos na Ásia para reprimir as forças revolucionárias na região e pressionar a China e a União Soviética.