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Coréia do Norte: a história de uma conspiração

26/05/2009 · 1 Comentário

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Os dois lados da Coréia formam uma só nação.

O país era dominado pelo Japão até a Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, com a guerra já resolvida na Europa mas ainda presente na Ásia, os aliados reafirmaram, na Conferência  de Potsdam, posição já anteriormente definida de garantir o direito da Coréia à independência.

Cumprindo os compromissos, em 8 de agosto de 1945 a União Soviética declarou guerra ao Japão — aliado da Alemanha nazista e da Itália Fascista, formando o “Eixo Nazi-Fascista”.

No dia 12, tropas soviéticas entraram no país ocupado pelo Norte, apoiando as forças guerrilheiras que lutavam contra o governo pró-Japão.

Em 8 de setembro, chegaram as tropas norte-americanas, pelo Sul do país.

A essa altura, os governos ocidentais estavam preocupados com o surgimento das democracias populares nos países libertados da operação nazista com o apoio do Exército Vermelho.

Trataram de ocupar posições e forçaram a divisão da Coréia, tendo como fronteira a linha imaginária do paralelo 38.

Os norte-americanos e seus aliados tentaram impor seu antigo aliado Syngman Rhee, um fascista declarado, como presidente da República.

A União Soviética não aceitou e exigiu que o próprio povo coreano tivesse o direito de deliberar sobre seu destino.

Para isso, as tropas estrangeiras deveriam se retirar do país.

Criado o impasse, a então recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) foi acionada.

Mas os Estados Unidos e seus aliados vetaram a presença da China — que havia feito uma revolução socialista em 1949 — no Conselho de Segurança e a União Soviética recusou-se a participar das discussões naquela organização — onde seria fatalmente esmagada.

Enquanto isso, no Norte os coreanos reconstruíam o país e no Sul Rhee era imposto presidente pelos Estados Unidos.

Ele instaurou um regime autoritário e policial — em 1949, o país já contava com 89.770 presos políticos.

Em abril de 1948, representantes de 50 partidos e organizações populares dos dois lados convocaram eleições gerais, marcadas para 25 de agosto.

O governo Rhee proibiu as eleições no Sul.

Ele sabia que seria derrotado — em 1946, 40 milhões de trabalhadores realizaram uma greve contra seu governo fascista, que chegou à insurreição armada.

Para reprimir os trabalhadores, Rhee convocou soldados dos Estados Unidos, que mataram 300 pessoas e prenderam 25 mil.

Mas, apesar da repressão, 75% dos coreanos do Sul participaram das eleições — realizadas clandestinamente.

No Norte, votaram 98%.

Mas Rhee não cedeu.

Pediu mais apoio aos Estados Unidos, que chamaram a ONU para realizar uma “eleição” no Sul.

Os emissários da ONU foram recebidos com protesto.

Mas realizaram as “eleições” no dia 1º de maio e Rhee “ganhou”.

Houve 70% de abstenção.

Em dezembro de 1948, cumprindo os acordos previamente estabelecidos, a União Soviética retirou o Exército Vermelho do Norte e o poder ficou nas mãos do Partido do Trabalho da Coréia.

Um abaixo-assinado agradecendo o Exército Vermelho percorreu o país e recolheu 17 milhões de assinaturas.

Mas o exército norte-americano, descumprindo os acordos estabelecidos, permaneceu no Sul.

O general Mac Arthur, chefe das forças armadas norte-americanas na Ásia, disse que não aceitaria o poder democraticamente estabelecido no Norte.

A ONU, que virou biombo dos Estados Unidos e seus aliados, foi acionada.

Em março de 1951, o líder soviético Josef Stálin deu uma entrevista afirmando:

“A ONU, fundada como baluarte da manutenção da paz, está se convertendo em um instrumento de guerra, em um meio para o desencadeamento de uma nova guerra mundial.”

Stálin denunciou que a ONU era comandada por um condomínio reunido na agressiva Organização do Atlântico Norte, a Otan (Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega e Islândia).

“Em essência, a ONU é, agora, menos uma organização mundial do que uma organização para os norte-americanos, que atua segundo as exigências dos agressores”, disse.

No dia 25 de junho de 1950 o Sul atacou o Norte.

Rhee garantiu que em três dias poderia capturar a capital do Norte, Pyongyang.

Para justificar a guerra, o secretário de defesa norte-americano afirmou que “a segurança dos Estados Unidos depende da sua posição no Extremo Oriente”.

A guerra da Coréia terminou no dia 27 de julho de 1953, com a fronteira mantida no paralelo 38.

O Sul permaneceu ocupado por tropas norte-americanas, que estão lá até hoje.

Desde então, o regime de Seul se fechou para o Norte e se abriu completamente para os Estados Unidos.

Coréia do Sul e Japão — também ocupado pelas tropas do general Mac Arthur após o térimino da Segunda Guerra Mundial — transformaram-se em bases militares anticomunistas dos Estados Unidos na Ásia para reprimir as forças revolucionárias na região e pressionar a China e a União Soviética.

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