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Crise econômica global: não há luz no fim do túnel

12/05/2009 · Deixe um comentário

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Três vencedores do Prêmio Nobel de Economia advertem para o risco de a crise mundial piorar no curto prazo.

Reunidos no fórum sobre a crise econômica promovido pela revista Exame na capital paulista, Joseph Stiglitz, Robert Mundell e Edward Prescott observaram, com diferentes nuances, que boa parte do fim da recessão global depende dos acertos da política econômica adotada pelo governo do presidente norte-norte-americano Barack Obama.

Ex-vice-presidente do Banco Mundial (1997 – 2000) e Prêmio Nobel de Economia (2001),  Stiglitz disse que acredita que “estamos no fim do começo” da crise financeira.

Para ele, o grande responsável pela crise foi a falta de regulamentação do mercado financeiro norte-americano.

Stiglitz afirma ser provável que os EUA atravessem uma “década perdida” na economia.

O economista voltou a prever um “futuro sombrio” para a economia norte-americana.

Segundo a avaliação de Stiglitz, a crise aconteceu por causa da falta de regulamentação do sistema financeiro norte-americano e a falta de transparência dos bancos.

“A economia americana foi sustentada por uma bolha financeira do mercado imobiliário”, disse.

Ele entende que o país norte-americano já está entrando em um momento de lenta recuperação, mas não acredita em saltos econômicos no curto-prazo.

O Prêmio Nobel afirma que, no período que precedeu a quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, os investidores estariam acreditando em uma “alquimia financeira”.

As agências estariam trabalhando com altas taxas de risco e pouco capital de segurança.

Neste contexto, Stiglitz critica o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“O FMI não ajudou muito a prevenir a crise. Na verdade, estimulou políticas que acabaram sendo responsáveis por ela”, disse.

Estamos no fim do começo da crise, mas não no começo do fim”, destacou.

Segundo ele, a economia global já está vivenciando um ajuste de estoques, mas ainda há grandes fraquezas nos setores financeiro e automobilístico norte-americano, que atrapalham uma recuperação.

“Pode ainda haver algum novo capitulo da crise, mas o mais provável é que continuemos neste mal-estar, com sinais de leve recuperação, mas sem nada efetivo”, afirmou Stiglitz.

Ele disse que  um fundo de reserva de moeda internacional deve ser criado e fazer parte da reformulação do sistema econômico mundial, para que a economia se adapte às novas características e desafios econômicos que surgem com a crise.

Segundo Stiglitz, um ponto positivo da crise é que ela estimula mudança nas instituições econômicas, principalmente no quesito regulação e transparência.

“As sociedades do mundo todo estão começando a repensar o sistema econômico”, afirmou.

No entanto, ele prevê que serão necessários muitos anos até que a recuperação do sistema ocorra completamente.

“O futuro ainda é sombrio e a tempestade ainda não está acabando”, disse.

Robert Mundell, vencedor do Nobel de economia de 1999, acredita que o mundo está a dois quintos do processo total da crise.

“Os EUA estão iniciando sua chegada ao fundo do poço neste semestre, ou no próximo. Depois vem uma recuperação lenta”, afirmou Mundell.

Para a Europa, no entanto, ele não consegue ver um início de recuperação no curto prazo.

“Acredito que só no fim do ano a União Europeia chegará ao fundo do poço”, disse Mundell.

“Neste momento de reestruturação do sistema cambial, países como Brasil e China deverão ter posição importante”, afirmou Mundell, citando o Brasil como exemplo de país com excelente posição em reservas estrangeiras.

Também premiado com o Nobel, em 2004, Edward Prescott fez uma análise ainda mais pessimista.

Ele acredita que o pior da crise ainda está por vir.

“(O presidente dos EUA Barack) Obama fez com que o clima de confiança piorasse. As pessoas se amedrontaram com o resgate dos bancos e agora param de investir”, disse.

Na opinião de Prescott, a Europa estará ainda pior, devido ao seu “pesado” sistema tributário.

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, também presente, defendeu a guerra fiscal entre os Estados.

“A competição entre estados é a coisa mais sadia. Estado mais bem administrado, com um governador melhor, pode baixar o imposto sim. Para ensinar os outros que podem fazer a mesma coisa”, afirmou.

O governador de São Paulo, José Serra, assistiu ao fim do debate e depois se dirigiu a almoço fechado com Delfim, os três economistas e os empresários participantes.

O mediador do debate, o jornalista William Wack, da TV Globo, perguntou ao final quem ganhava com a crise.

Em tom de brincadeira, os três ganhadores do Nobel responderam: os economistas.

Delfim Netto disse:

“Ninguém. O desemprego é uma tragédia. Nos EUA e no Brasil, uma tragédia mundial. Quem paga é o trabalhador”, disse.

Com agências

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