Notícias, informações, notas e opiniões

Costa-Gravas: nazismo é sempre uma ameaça

01/05/2009 · Deixe um comentário

Com a trajetória de um imigrante ilegal que tenta chegar a Paris, numa história marcada pelo humor, o imprevisto e a fantasia, o cineasta grego Constantin Costa-Gavras está surpreendendo o público que conhece seu engajamento por filmes como Z (1969) e Missing – Desaparecido (1982).

Primeiro foi a platéia da Berlinale, o festival de cinema de Berlim, onde o filme Eden a l’Ouest estreou em janeiro último.

Agora é a vez do Cine-PE, o Festival Audiovisual do Recife, que está em sua 13ª edição e homenageia esse veterano da cinematografia política de 76 anos.

Na entrevista coletiva que concedeu no hotel onde está hospedado na cidade pernambucana, Gavras foi questionado quanto à presença de humor e leveza no filme, o que em tese não combinaria com sua produção, dita mais séria.

“Senti necessidade de mudar minha linguagem de fazer cinema desde as grandes transformações no mundo atual, como a queda do muro de Berlim”, justificou o diretor. “Havia uma guerra ideológica, e agora temos outro tipo de conflito, como a questão da imigração e das fronteiras entre os países, que estão sendo repensadas”, disse.

Para Gavras, utilizando um pensamento parecido com o discurso para a platéia de mais de duas mil pessoas na homenagem ocorrida na segunda-feira à noite, o drama e a tragédia, características de seus filmes anteriores, podem amedrontar o público se utilizados hoje.

“O humor faz pensar também e abre o coração das pessoas.”

A mulher e produtora de Gavras, Michèlle, fez questão de dar crédito à filha do casal, Julie Gavras, diretora estreante com A Culpa É do Fidel! — os outros dois filhos também estão envolvidos com cinema.

“Ela tem uma relação todas especial com humor e influenciou o pai”, disse Michèlle.

No filme, o protagonista Elias (Riccardo Scamarcio) salta de um navio clandestino, vai parar num resort paradisíaco à beira-mar e dali inicia seu périplo de muitas surpresas, personagens solidários ou não e desilusões.

“O humor, assim como outra linguagem qualquer que posso adotar, vem em função da história, de quando ela começa a ser escrita, do contexto”, explica.

O cineasta diz apostar hoje na leveza como a melhor maneira de chega ao espectador.

“Jacques Tati (cineasta e personagem cômico francês) diz que há comédia em tudo, basta olhar em volta na sociedade.”

E adiciona: “os filmes podem e devem mudar, mas as questões sociais, que hoje para mim é o político que antes se impunha, continuam.”

Gavras lembrou a sua formação política e a razão do interesse pelos governos latino-americanos, foco de seus filmes em Estado de Sítio (Uruguai) e Missing – Desaparecido (Chile).

“Comecei a me interessar pelas ditaduras na América Latina quando percebi que faltava um cinema voltado para questões políticas urgentes, eu não via mais filmes assim; nesse sentido, a América Latina funcionou como um laboratório social e político nos anos 50.”

Na década seguinte, o diretor começou a pesquisar o fato que envolvia um embaixador americano na guerra civil da Guatemala e passou a conhecer grupos de resistência da ditadura, a exemplo dos Tupamaros, no Uruguai.

O diretor apontou que governos excessivamente conservadores sempre existiram e existirão, e que algo como o nazismo sempre pode reviver se não ficarmos atentos, uma função que pode e deve também ser do cinema.

A informação é do portal Terra

Categorias: Cultura · Vídeo · trabalhadores
Etiquetado: , ,