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Clara Rojas diz que Ingrid Betancourt age com “frieza e intolerância”

16/04/2009 · Deixe um comentário

A ex-candidata à vice-presidente da Colômbia na chapa de Ingrid Betancourt, Clara Rojas, disse que a ex-amiga e companheira de prisão das Farc por seis anos, em entrevista à edição mais recente da revista francesa Paris Match age com “frieza e intolerância”.

 

“Ingrid não sabe administrar conflitos nem admitir as diferenças. É incapaz de aceitar que existem sensibilidades distintas à dela (…) sem ferir ou humilhar”, afirmou Clara, acrescentando que elas foram se distanciando aos poucos, até o ponto em que mal se cumprimentavam.

 

Segundo ela, era “absurdo e insuportável” que os próprios guerrilheiros tivessem que intervir em certas ocasiões para lembrá-las de que eram duas prisioneiras e tinham que ser solidárias uma com a outra.

 

Clara Rojas lembra que precisou pedir, separadamente, que os membros das Farc impedissem Ingrid de lhe “roubar tudo”, como fez com um dicionário.

 

Ela também cita a reação que teve sua companheira quando lhe disse que estava grávida e foi respondida com um lacônico “bem vinda ao clube”.

 

“Ainda hoje não entendo sua atitude. (…) Tínhamos sido boas amigas e sempre me interessei por seus filhos”, conta Clara Rojas, acrescentando que nesse momento se deu conta de que estava totalmente só e assim continuaria durante toda a gravidez.

 

Na entrevista, ela também fala da família de Betancourt, que acusa de tentar monopolizar as atenções, ignorando os demais.

 

“Sempre agiram como se fossem os únicos atores desta história, com ciúmes, às vezes, excessivos, e continuam agindo”, disse.

 

Como prova, ela revela que no mesmo dia da prisão os guerrilheiros pediram a ambas que informassem do ocorrido a suas famílias em uma única folha de papel e que a família Betancourt ficou com o texto, transmitindo a informação aos parentes de Clara somente vários meses depois.

 

O mesmo ocorreu com a primeira gravação de vídeo na qual mostravam que estavam vivas.

 

“Não tenho ressentimento, mas é uma questão de humanidade. Tiveram uma atitude muito cruel”, acrescenta.

 

Clara Rojas relata estes e outros episódios em Cativa, o livro que acaba de publicar sobre a prisão, no qual inclui um capítulo dedicado à sua relação com Betancourt e intitulado “Desencontro”.

 

Com agências

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