
Segundo Alberto Broch, eleito novo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), a entidade trabalhará em coordenação com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).
A Contag estava filiada à CUT há 14 anos e decidiu se desfiliar por 1.441 votos contra 1.109 durante, durante 10º Congresso Nacional da entidade encerrado neste sábado (14) em Brasília.
“Hoje, a base da Contag está ligada a duas centrais e vamos trabalhar com as duas, independente de filiação. Para o trabalhador rural, o que mais importa é termos uma representatividade forte, capaz de responder às suas necessidades”, afirma Broch.
Ele explica que a Contag é formada por 27 federações que reúnem cerca de 4 mil sindicatos rurais e 20 milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Entre as federações, 17 são filiadas à CUT, seis à CTB e quatro são independentes.
No entanto, as grandes federações estão ligadas à CTB, o que faz com que cerca de 3 mil sindicatos estejam vinculados a essa central sindical, e não à CUT.
“A desfiliação significa a vontade da maioria dos sindicatos. Evidentemente que não vamos ficar ilhados do debate das centrais. Elas têm um papel importante e vamos continuar debatendo”, assegura.
O atual presidente da Contag, Manoel dos Santos, ligado ao PT, defendia a manutenção da filiação à CUT.
A tese da desfiliação era defendida pelos delegados vinculados às federações de trabalhadores na agricultura do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de Minas Gerais e da Bahia — todos ligados à CTB.
Os trabalhadores que votaram pela desfiliação dizem que a CUT reconhece a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) como interlocutora dos trabalhadores do campo em vez de defender a unicidade sindical.
Também consideram a CUT mais representativa de movimentos urbanos como os metalúrgicos, bancários e funcionários públicos.
Além de aprovar a desfiliação da CUT e eleger a nova diretoria da Contag, os 3 mil delegados presentes ao congresso definiram como diretrizes prioritárias para o próximo ano.
“Vamos continuar com uma grande pauta de políticas públicas para a agricultura familiar e, principalmente, discutir plataformas onde a gente tenha mais renda na agricultura familiar. Também vamos continuar a luta por manutenção e melhoria dos direitos sociais no campo, como saúde e previdência, e pela melhoria das políticas públicas”, resume Alberto Broch.
Em abril serão definidas as bandeiras do Grito da Terra e a pauta de negociação com o governo federal.
De acordo com o novo presidente da Contag, a agenda se concentrará em três questões: agilização da reforma agrária, melhoria das políticas públicas, principalmente no que diz respeito à assistência técnica, e melhoria de programas que já existem, como o seguro agrícola e o Pronaf.
“Esses programas precisam ser melhorados, precisam ter mais recursos e que cheguem em todos os recantos do país”, diz Broch.
Com informações da Agência Brasil