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Despejar dinheiro sobre a economia vai funcionar?

10/03/2009 · Deixe um comentário

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Por Rui Peres Jorge, no Jornal de Negócios.

 

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) já está fazendo isso há meses. O Banco de Inglaterra irá começar agora. No Canadá, o banco central introduziu o tema na semana passada e dará pormenores para o mês que vem. E até Trichet (presidente do Banco Central Europeu — BCE), que tem estado relutante em caminhar nesse sentido, assumiu na quinta-feira que não exclui essa possibilidade.

 

Qual? “Imprimir” quantidades enormes de dinheiro novo e injetá-lo na economia através da compra de obrigações de governos e empresas, quer através do sistema bancário, quer de compras diretas. Mas será que vai funcionar? E a que custo?

 

Estas são perguntas para as quais não há resposta segura. Trata-se de armas não convencionais que raramente foram usadas. Em mais de 300 anos de história, o Banco de Inglaterra nunca o tentou. O BCE e o Banco do Canadá também não. O Fed já o fez, com resultados positivos, mas foi há quase 80 anos, durante o combate à grande depressão. E sobre o Japão ainda hoje os economistas discutem por que é que a injeção de dinheiro teve fracos resultados no início desta década.

 

Mas, então, por que é os maiores banqueiros estão planejando entrar nesta aventura? A razão principal é simples: não lhes resta mais nada. A taxa de juro central aproxima-se ou já chegou a zero, o que significa que os banqueiros deixaram de contar com a sua arma mais poderosa — aquela que, pensavam, lhes dava o poder para conduzir o ciclo econômico contra ventos e marés.

 

Mas há uma outra razão para o arrojo dos banqueiros: com as suas economias afundando a um ritmo vertiginoso, não querem ser acusados de passividade. E se há boas intenções nestas decisões, elas não vêm sem riscos.

 

A maioria dos economistas defende que os bancos usem este tipo de instrumentos, mas diferem na confiança sobre a sua eficácia. Há alguns, como Frederic Mishkin, ex-braço direito de Ben Bernanke, que acreditam, em absoluto, no poder monetário. Com mais dinheiro na economia a custo baixo gera-se inflação e propensão ao gasto, defendem.

 

Há outros, como Paul Krugman, para quem se trata de medidas de pouco impacto nas atuais circunstâncias — com taxas de juro zero e riscos de deflação, por mais dinheiro que haja na economia, ninguém empresta, ninguém investe, optando todos por ficar “sentados em cima do dinheiro”.

 

Os riscos que os bancos assumem

 

Um dos principais receios associado à utilização deste instrumento está na criação de inflação futura. Com doses enormes de dinheiro no mercado, teme-se que quando a atividade econômica começar a recuperar uma onda de hiperinflação seja gerada.

 

Outro aviso vai para o impacto nas contas públicas: ao comprarem títulos de dívida pública, os bancos centrais baixam os juros que os governos têm de pagar, incentivando-os a endividarem-se ainda mais.

 

Isso significa que, quando os juros voltarem a subir, alguns Estados podem ter dificuldades em cumprir com o serviço das suas dívidas. Finalmente, os próprios banqueiros correm riscos: ao comprarem ativos de empresas para os seus balanços, estão eles próprios tomando o risco destas empresas. O que os poderá deixar em situação difícil se estas forem à falência.

 

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